O desafio de combater fraudes financeiras leva empresas fornecedoras de ferramentas de segurança ao sistema bancário a se debruçarem sobre novos modelos na tentativa de barrarem, ao máximo, as novas táticas desenvolvidas pelos fraudadores.
Os bancos, por sua vez, não poupam investimentos e, apesar de um volume menos robusto que o anunciado em 2007, continuam fazendo fortes desembolsos em tecnologia. No ano passado, os recursos destinados ao setor totalizaram R$ 19,4 bilhões, alta de 6% em relação a 2008, quando foi verificado um crescimento de 11% nos investimentos na comparação com 2007. "A indústria bancária brasileira manteve a média histórica de crescimento dos investimentos em tecnologia do setor no mundo, apesar da crise", afirma Gustavo Roxo, diretor de tecnologia da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).
Levantamento intitulado "O setor bancário em números", divulgado pela entidade no dia 27 de maio, demonstra que nos últimos anos o número de contas correntes teve crescimento semelhante ao número de contas de Internet Banking no país. Foram registradas 134 milhões de contas correntes no ano passado frente a 126 milhões em 2008 e 112 milhões em 2007, aumento de 19% nos últimos três anos. Já as contas de Internet Banking somaram 35 milhões no ano passado, acima das 32 milhões em 2008 e 30 milhões em 2007, obrigando o setor a ser mais vigilante. "Hoje, dificilmente um fraudador vai tentar invadir um banco, mas o que ele faz normalmente é tentar roubar a senha do cliente e esse roubo ocorre em volume", afirma Fernando Nery, sócio fundador da Módulo GRC Solutions, fornecedora de tecnologia. O executivo diz que "a fraude dificilmente ocorre dentro da organização, mas sim com o seu cliente. O grande desafio é ter um modelo de gestão, porque as organizações possuem boa parte de suas ferramentas em dia."
Seguindo essa linha, a Módulo sugere três recomendações que, na opinião de Nery, têm surtido bons resultados. "Como fornecedores de segurança para os bancos, temos dado apoio aos modelos de governança na área de segurança para que todas as ferramentas e estratégias sejam utilizadas da melhor forma possível, inclusive o conhecimento humano", afirma. Estar em dia com a regulação é outro ponto relevante. "O Banco Central audita os bancos em termos de segurança", acrescenta. Proteger o cliente – a terceira recomendação – é evidentemente um dos principais objetivos dentro do plano de segurança. "Hoje, o Internet Banking não é só um software que faz operação bancária, mas é um software que também traz alguma segurança para o computador do correntista", diz.
Segundo ele, entre os 15 maiores bancos do país, 13 deles são clientes da Módulo. "Um terço do nosso faturamento é gerado pelos bancos", conta.
Márcio Nunes, diretor de inovação e desenvolvimento de novos produtos da Certisign, que também atende a rede bancária na área de segurança, relata que "há experimentos diferentes usados pelas instituições financeiras no sentido de aumentar o grau de segurança ao usuário. O certificado digital é o mais completo nesse processo, com validade jurídica para toda transação bancária. Trata-se da ferramenta mais segura e completa", garante. Isso explica o crescimento acentuado do produto. Estima-se que o mercado brasileiro disponha de cerca de 1 milhão de certificados digitais entre pessoas física e jurídica, porque o certificado de pessoa física concede também ao usuário o direito de representar uma empresa. "Serão ao todo cerca de 2,5 milhões de certificações digitais até o término de 2010", afirma Helder Moreira, gerente executivo de certificação digital da Serasa Experian. Pelos cálculos de Nunes, dentro de cinco a dez anos, cerca de 150 milhões de pessoas terão o certificado.
Com um portfólio amplo, a Certisign também tem os bancos como um dos seus maiores clientes. "Os bancos investem pesado em tecnologia de segurança, seja em análise de fraude, em etapas de identificação de usuários no sistema de Internet Banking, em certificação digital, etc", afirma. Segundo ele, "os equipamentos hoje estão cada vez mais protegidos e para alguém tentar fazer uma fraude tem que fazer um investimento muito grande", emenda Nery, da Módulo Solutions. Há 25 anos no mercado, a empresa percebe que o cerco às fraudes está se fechando cada vez mais. "O banco está investindo para proteger o cliente, capacitar o seu pessoal, analisar a segurança do fornecedor e melhorar seu processo de governança, o que reflete em um uso melhor das ferramentas que dispõem", diz.
"O nível de segurança nessa área no Brasil é muito alto a ponto de os bancos estrangeiros usarem as subsidiárias no Brasil para melhorar seu nível", acrescenta Nery. Segundo ele, hoje a Módulo conta com um escritório nos Estados Unidos e outro na Inglaterra. "Tecnicamente, aqui no Brasil, estamos bastante na frente da Europa e Estados Unidos em termos de automação bancária e segurança bancária", diz.
(Fonte: Valor Econômico)