Em seu discurso após a confirmação da vitória, a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, fez uma promessa que, há 20 anos, poderia ter parecido não somente megalomaníaca como impossível. Erradicar a pobreza extrema, afinal, não era um compromisso a se tomar sem um certo senso de galhofa política ou sonho improvável na época.
Duas décadas se passaram, a economia brasileira exibe dados concretos e realistas de pujança. O sonho, então, pode se transformar em discurso político também realista.
Segundo cálculos do Brasil Econômico, o governo federal precisaria duplicar tanto o alcance quanto os valores investidos no principal programa de distribuição de renda, o Bolsa Família.
Seriam necessários R$ 11,4 bilhões ao ano para erradicar a pobreza extrema no país, que ainda grassa entre 9 milhões de cidadãos.
Apesar da grandiosidade, o bom andamento da economia sinaliza que não haveria problemas para levantar os recursos. Nos últimos 13 anos, 12,8 milhões de brasileiros foram elevados a condições um pouco melhores de vida.
No Nordeste, principal região beneficiada pelo Bolsa Família, a candidata obteve cerca de 70% dos votos válidos nas eleições.
Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que 60% da população do Norte é pobre e Dilma não recebeu a preferência absoluta dos eleitores lá. A rejeição parcial ao PT pode, então, estar ligada a conflitos regionais como o relativo à reserva indígena Raposa do Sol.
Também discutimos outra consequência do atual momento da economia brasileira: o aumento dos empregos e a resultante falta de mão de obra especializada para dar conta das vagas abertas.
Só no Rio de Janeiro, onde a indústria petrolífera aumentou sua demanda, até junho foram liberadas 12.069 autorizações de trabalho para estrangeiros. Ao longo de 2009, foram concedidas 18.956 autorizações.
Valor Econômico