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CLASSE C E D DÃO NOVO RITMO AO CONSUMO

Num tempo em que não existia cartão de crédito e o crediário era informal, baseado no relacionamento entre o comprador e o dono da loja, poucos itens espelhavam o poder aquisitivo das pessoas. O aparelho de televisão foi – e ainda é – o mais simbólico deles.

O televisor em preto e branco reinou por vários anos como sinal de status nos lares, indicando uma posição social diferenciada em relação a quem não tinha condições financeiras para adquiri-lo

Pena que a televisão não é colorida, virou jargão entre locutores quando tinham uma bela imagem que perdia o charme no preto e branco. Pena que nossa TV não é a cores, dizia o telespectador na mesma situação, quando surgiram os aparelhos de tv em cores criando novo símbolo de status, em meados dos anos 70.

Mesmo dividindo essa condição com a máquina de lavar roupa e outros itens, cuja relação foi se ampliando cada mais rapidamente, passando pelo DVD, laptop, celulares de última geração e uma infinidade de eletroeletrônicos, o televisor manteve-se firme entre eles e continua objeto de cobiça em versões acima de 40 polegadas, em LCD, plasma, HD e 3D (imagem tridimensional).

Só que agora, com o bom momento da economia e a expansão da renda e da massa salarial, esses itens já não definem a condição socioeconômica do adquirente.

O consumidor da classe D – caracterizado por quem ganha de um a três salários mínimos – começa a se misturar com o da classe C (renda pessoal entre três e dez salários mínimos), que já incomoda parte da classe B (cima de dez mínimos), sempre ciosa de sua condição diferenciada.

Atenta a esse novo quadro, a indústria também se movimenta e lança produtos para os emergentes, esquecendo-se temporariamente da classe B que, incomodada ao ver gente de outras classes compartilhando com ela os mesmos balcões e vitrines se volta para o produto importado.

Esse compartilhamento também sobe aos céus, como mostra levantamento do Instituto Data Popular, indicando que, em 2011, 1,7 milhão de brasileiros da classe D vão viajar de avião pela primeira vez

Brasil Econômico

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