Notícias

ESCASSEZ DE PETRÓLEO AFETARÁ A ECONOMIA GLOBAL, DIZ FMI

O mundo entrou num período de escassez de petróleo, afirmou ontem o Fundo Monetário Internacional (FMI) em documento que examina a recente alta das cotações do produto, um dos assuntos que deverão dominar os debates econômicos na reunião de primavera do organismo na semana que vem em Washington. O crescimento global tende a ser prejudicado, mas o Brasil deve sair ganhando, como um novo exportador do produto.

"De forma geral, o efeito é claro: o Brasil vai se beneficiar da escassez de petróleo, assim como outros exportadores de petróleo", disse o coordenador do estudo do FMI, Thomas Helbling. Mas, segundo ele, o país tem diante de si o desafio tecnológico e os altos custos de explorar petróleo no mar em águas profundas.

Ontem, o petróleo bateu na cotação de US$ 110 o barril em Nova York. "A principal mensagem é que a escassez de petróleo será um forte limitador para o crescimento global no médio prazo", disse Helbling. Também deverá levar a uma transferência de renda para países produtores. Esse dinheiro deverá ser reciclado na economia global, levando a uma aumento do fluxo de capitais sobretudo para países emergentes.

A alta recente do petróleo responde, em alguma medida, a fatores como notícias divulgadas a cada dia sobre tensões no Oriente Médio e também o superaquecimento de algumas economias emergentes. Quando o FMI diz que o petróleo atravessará um período de escassez, está se referindo mais às tendências estruturais e de médio prazo na oferta e demanda do produto. "A volta à abundância é improvável no futuro mais imediato", diz o relatório do FMI.

De um lado, diz o organismo, a demanda por petróleo cresce em países emergentes, como China, onde o consumo per capita de energia é bem menor do que países desenvolvidos. Em países em desenvolvimento, o crescimento econômico costuma ser acompanhado de mais consumo de petróleo, o que nem sempre ocorre entre as economias desenvolvidas.

De outro lado, a oferta do produto não voltará à tendência de forte crescimento observada nas décadas de 1980 e 1990. A produção de petróleo, diz o FMI, chegou à maturidade em países como Rússia e Arabia Saudita. Isso significa que os poços atingiram o pico e, daqui por diante, sua produção tende a se manter estável ou declinar. Novas fronteiras de produção, como a extração em alto mar, são mais caras e impõem desafios tecnológicos. As empresas estão investindo mais, porém entregando menos em termo de produção.

O FMI fez algumas simulações sobre como a escassez de petróleo pode afetar o crescimento mundial. Num cenário mais moderado, se houver uma queda inesperada de 1 ponto percentual na tendência de oferta de petróleo nos próximos 25 anos, haveria uma queda anual do crescimento econômico mundial de 0,25 ponto percentual.

O cenário de escassez de petróleo impõe uma série de desafios para os governos, diz o FMI. Para quem recebe fluxos de capitais, será necessário agir para evitar fortes desequilíbrios em conta corrente. Para importadores de petróleo, devem afetar as contas fiscais, em meio a crescentes pressões para conceder subsídios.

Valor Online

Veja outras notícias

Lucros crescem, mas Santander começa 2026 com demissões e sobrecarga

O ano mal começou e o clima já pesou no Santander. O banco tem promovido, nas primeiras semanas de 2026, desligamentos abruptos e sem transparência. Os diretores do Sindicato atenderam trabalhadores de carreira, com anos — e até décadas — de dedicação, dispensados de...

PLR dos bancários 2026

A Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) dos bancários em 2026 é regida pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2024–2026, que define critérios de cálculo e prazos de pagamento. O pagamento é feito em duas parcelas. A primeira, de antecipação, é creditada até...

Sindicato solicita o pagamento do PRB e Bradesco nega

Em reunião online realizada na tarde desta quinta-feira 12, o Sindicato, por meio da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, solicitou ao banco o pagamento da parcela fixa do Programa de Remuneração Bradesco (PRB). A cobrança ocorreu porque a ROE...