Notícias

EXPANSÃO DA REDE DE AGÊNCIAS PRESSIONA LUCRO DO BRADESCO

As despesas administrativas e de pessoal pesaram no resultado do Bradesco, que registrou lucro líquido contábil de R$ 2,726 bilhões no quarto trimestre de 2011 – inferior em 8,7% ante o resultado do quarto trimestre de 2010. No acumulado de 2011, o Bradesco apresentou lucro de R$ 11,028 bilhões, aumento de 10% em relação a 2010.

As ações preferenciais do Bradesco foram penalizadas e apresentaram a segunda maior queda do Ibovespa, ontem, ao recuarem 3,14%, para R$ 31,40.

Os gastos operacionais do banco somaram R$ 6,822 bilhões no quarto trimestre do ano passado, expansão de 17,8% contra o quarto trimestre de 2010. Em 12 meses, essas despesas totalizaram R$ 24,467 bilhões, crescimento de 17,4% em relação a 2010. O Bradesco promete mais comedimento nessa linha do balanço este ano. O banco projeta, para 2012, um aumento de 8% a 12% das despesas administrativas e de pessoal.

Durante teleconferência de resultados com jornalistas, ontem, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, procurou enfatizar a estratégia de crescimento orgânico adotada pelo banco, que em 2011 precisou "se adaptar a questões conjunturais e a oportunidades de negócio". Por questões conjunturais leia-se a perda do contrato de administração do Banco Postal para o Banco do Brasil (BB). Quanto às oportunidades de negócio, Trabuco se refere às aquisições do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Berj) e da folha de pagamento dos servidores do Estado de Pernambuco.

"No início de 2011, por ocasião do anúncio dos resultados de 2010, informamos que o plano era inaugurar 180 agências no ano, depois alterado em função de fatores não previstos, na ocasião, mas que acabaram rendendo excelentes negócios", afirmou Trabuco. O Bradesco abriu, somente em dezembro, 1.009 agências. Foram contratados, ao longo de 2011, 9,5 mil funcionários.

De acordo com o cronograma do banco para este ano, deverão ser entregues cerca de 70 novas agências – obras que restaram de 2011. "O maior impacto [dos gastos com expansão da rede de agências] já ocorreu", disse o vice-presidente Domingos Abreu. O executivo espera, para este primeiro semestre, tanto uma maturação dos investimentos feitos em 2011 quanto, para a segunda metade do ano, um incremento das receitas, oriundas da forte expansão.

Tal combinação, segundo Abreu, poderia levar a "alguma redução do indicador de eficiência". Mas, diferentemente do Itaú Unibanco, que traçou como objetivo chegar a 41% de índice de eficiência ao fim de 2013, o Bradesco não fixou uma meta numérica. O índice de eficiência do Bradesco acumulado em 2011 foi de 43%, apontando uma leve piora em relação aos 42,7% apresentados em 2010 – quanto menor, melhor, já que ele indica quanto os custos representam da receita do banco.

A carteira de crédito do Bradesco encerrou 2011 com R$ 268,67 bilhões, evolução de 16,5% em relação ao fim de 2010. O ritmo de expansão foi diminuindo ao longo do ano, embora Trabuco negue que o banco tenha "pisado no freio". "Tivemos um desempenho bastante interessante para um ano marcado pela perspectiva inicial de retração econômica e aumento da inflação", disse. As projeções do Bradesco para 2012 indicam um crescimento entre 18% e 20% da carteira de crédito expandida (que inclui, entre outras operações, avais e fianças, antecipação de recebíveis de cartões e debêntures).

O índice de inadimplência do banco fechou 2011 em 3,9%, leve aumento em relação aos 3,6% de dezembro de 2010.

Valor Online

Veja outras notícias

Contraf-CUT: 20 anos transformando lutas em conquistas

Nossa história reflete trajetória maior, que remonta mais de cem anos de lutas dos bancários e bancárias, com avanços para toda classe trabalhadora Em 26 de janeiro de 2006 nascia a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), um marco...