Primeiro dia de greve teve 70% de adesão na Capital
Pode chover. Pode alagar toda a Porto Alegre e Região Metropolitana. E até mesmo que caiam raios. E que trovões ecoem na alma farroupilha dos bancários. O primeiro dia de greve teve 70% de adesão e foi muito maior do que o primeiro dia do ano passado. A categoria mostrou que na sua alma arde uma chama que o mau tempo não vai apagar. Quem vai enfrentar o tempo ruim daqui pra frente é o banqueiro.
O primeiro dia, quase sempre, serve para tirar uma febre. Mas nesta terça-feira, dia 18, a categoria mostrou que está ardendo de vontade de levar a luta até o fim e com vitória. Agências da base territorial do Sindicato foram fechadas e, em todo lugar que se andou, ouviu-se dos bancários que ninguém aguenta mais tanto desrespeito, tanta desvalorização e tanto assédio moral.
Sim, a categoria mostrou que a greve decola em todo o Estado e que não adianta a Fenaban se fingir de morta. Pode empacar, Fenaban, dizer que tem crise econômica e que, por isso, não pode investir na saúde e na segurança do bancário, não pode aumentar a participação nos lucros e nem reduzir o tamanho das filas contratando mais gente.
Todo bancário sabe que 0,58% de aumento real é pouco. Que o lucro dos cinco maiores bancos do país foi de R$ 25,2 bilhões e que eles esconderam outros R$ 39,5 bilhões no cofre porque dizem que precisam atacar a inadimplência.
Mas a inadimplência no cartão de crédito subiu só 0,7%. É como se não tivesse subido quase nada. Então, não tem por que fazer o lucro ir lá para baixo com o provisionamento. Aliás, o único motivo é não pagar uma melhor participação nos lucros para a nossa categoria.
O truque de banqueiro apareceu em várias agências. Na agência do Banrisul, da avenida Sete de Setembro, no Centro, a gerência colou cartazes em cima dos adesivos de greve dos bancários, mas os caixas cruzaram os braços. Resultado: a unidade permaneceu fechada o dia inteiro.
Na agência do Banco do Brasil, da Uruguai, os funcionários pararam tudo. A reivindicação mais forte tinha um alvo: o assédio moral. No segundo maior banco do país, os bancários não aguentam mais a pressão e o desrespeito.
Foi assim em agências de bancos privados também. O Itaú, da Coronel Vicente, não abriu as portas, assim como o Santander, da Sete de Setembro, o Edifício Querência, da Caixa, o HSBC, da General Câmara. No Bradescão, da Praça Oswaldo Cruz, o movimento fez história: pela primeira vez em muitos anos, esta agência parou totalmente suas atividades durante a greve. Até as luzes de dentro se apagaram.
De norte a sul de Porto Alegre e da região Metropolitana, agência seguida de agência fechou as portas. E isso foi só o primeiro dia. Amanhã, depois e tanto tempo quanto for necessário tem mais.
Forte adesão
A adesão no primeiro dia de greve correspondeu às expectativas do SindBancários. Segundo o presidente Mauro Salles, a adesão foi maior do que a do ano passado. "Apesar da chuva, a categoria mostrou toda a sua indignação com os truques e com a atitude dos banqueiros na mesa de negociação. O movimento tende a crescer. Neste primeiro dia, mostramos que estamos unidos, mobilizado e que vamos lutar até o fim", disse.
*Imprensa SindBancários