Notícias

O BRASIL VAI VIRAR UM PAÍS DE TRABALHADORES TERCEIRIZADOS

O presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, o Carlão, é um dos entrevistados do caderno especial sobre "A polêmica da terceirização" que o O Estado de S. Paulo publica nesta quinta-feira 8, resumindo o debate sobre o tema que o jornal promoveu dentro da série Fóruns Estadão Brasil Competitivo. Leia abaixo a entrevista publicada no jornal:

 

O Brasil vai virar um País de trabalhadores terceirizados

O Estado de S. Paulo

Para Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), a proposta de regulamentação da terceirização representa uma ameaça a todos os trabalhadores contratados de forma tradicional no Brasil.

 

O que o sr. acha do projeto que regulariza a terceirização?

É perigosíssimo. Representa um retrocesso na questão do trabalho no Brasil. Acaba, por exemplo, com o conceito de atividade-fim e atividade-meio e coloca no lugar o conceito de especialização. Hoje, nas agências bancarias, são terceirizados apenas o pessoal da limpeza e os vigilantes. Essa proposta amplia de forma ilimitada as possibilidades para que as empresas possam terceirizar toda a sua produção, desde que a empresa prestadora de serviços se defina como especializada. Um terceirizado poderá fazer o serviço de caixa, de atendente ou gerente de banco sem receber nem o piso da categoria. Corremos o risco de todos os trabalhadores serem substituídos por essa modalidade de trabalho eventual e temporário, como prestadores de serviço. Não teremos mais bancários, nem metalúrgicos ou químicos. Seremos um país de terceirizados.

 

Como ficam os correspondentes bancários?

Os bancos convenceram os parlamentares a deixar o correspondente bancário fora da regra de especialização. A padaria é especializada em fazer pão, a farmácia, em vender remédios, e a lotérica, em jogos de azar. Então, como esses três vão poder prestar um serviço bancário? Esse projeto é para o setor privado e para o setor público, o que representa o fim dos concursos públicos dos bancos estatais.

 

Faz sentido para os trabalhadores do setor privado?

O projeto regulariza a subcontratação, ou seja, a quarteirização. E quem contrata o prestador de serviços não tem responsabilidade. Hoje, o empregado pode processar a empresa contratante se a contratada não recolheu o FGTS, INSS ou salário. Nesse novo projeto, só pode processar a empresa prestadora de serviços, o que é um retrocesso. Os terceirizados não vão ganhar absolutamente nada com isso. É ruim para quem é terceirizado e abre precedente para os demais trabalhadores, já que qualquer atividade poderá ser terceirizada.

 

Nessa disputa, o governo está em cima do muro?

O governo precisa pressionar a sua base parlamentar para derrubar esse projeto. Os trabalhadores elegeram este governo para defender e ampliar as suas conquistas. O governo estabeleceu uma mesa de negociação quadripartite (formada por representantes das empresas, centrais sindicais, parlamento e do próprio governo), mas eu continuo achando que governo é igual feijão, só na pressão.

 

Veja outras notícias

BB não faz proposta e quer jogar a culpa nos próprios funcionários

Durante mesa de negociações, gestão do banco afirmou que reivindicações por melhorias nas remunerações resultariam na redução de postos, mas sindicatos identificaram distorções nos cálculos Era início da tarde de quarta-feira, 6 de agosto, quando a dirigente sindical...

COE e Santander retomam negociação específica nesta quarta-feira (12)

Quarta rodada de negociações terá como foco cláusulas econômicas e sindicais, incluindo mobilidade, qualificação e reorganizações A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander se reúne com a direção do banco nesta quarta-feira (12), para a quarta rodada...