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PÉSSIMAS CONDIÇÕES DE TRABALHO AINDA ELEVAM NÚMEROS DE LER/DORT
 
Doenças físicas têm gerado problemas psíquicos paralelos aos bancários
 
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O ambiente de trabalho nos bancos continua a adoecer os trabalhadores. A rotina de metas abusivas, excesso de trabalho, cobrança e assédio expõe uma realidade difícil de ser transformada. Ao longo das últimas décadas, a categoria bancária sempre esteve entre as que mais adoecem no país. Contraditoriamente, a lucratividade das instituições financeiras nunca foi tão elevada. Embora o lucro seja o objetivo maior dos bancos, o esforço humano para o cúmulo destas cifras é uma contrapartida injusta.

O movimento sindical bancário foi protagonista na defesa de condições de trabalho dignas aos trabalhadores do setor financeiro. Quando surgiram os conceitos de LER/DORT – (Lesões por Esforço Repetitivo / Doença Osteomuscular Relacionada ao Trabalho), o trabalho bancário estava em plena transformação. As mudanças geradas pela informatização, pelos novos modos de gestão de recursos humanos causaram um impacto profundo na saúde dos trabalhadores do setor.

Além de lutar pela melhoria das condições de trabalho através das negociações coletivas, a maior parte dos sindicatos e federações de bancários investiu em programas de prevenção de doenças do trabalho, na produção de materiais informativos, na constituição de grupos de apoio, no acompanhamento, orientação dos trabalhadores acometidos pelas LER/DORT e na concessão de assessoria jurídica especializada aos casos mais graves.

Nesta sexta-feira (28), quando se celebra o Dia Internacional de Combate e Conscientização sobre LER/DORT, Fetrafi-RS e sindicatos contabilizam um elevado número de atendimentos a trabalhadores vítimas de doenças geradas pela atividade bancária. De acordo com a assessora de Saúde do SindBancários e da Federação, Jacéia Netz, durante o ano de 2013 o Departamento de Saúde do SindBancários fez 1.502 atendimentos. “Lutamos para ter acesso ao número de bancários afastados, mas infelizmente, estas informações são de exclusividade dos departamentos de Recursos Humanos dos bancos e do INSS”, explica.

A assessora também destaca o alto índice de reincidência. “Em muitos casos os trabalhadores se afastam para tratamento, mas são obrigados a um novo afastamento porque foram submetidos às mesmas condições de trabalho que os levaram ao adoecimento”, salienta.

Doenças psíquicas

Jacéia enfatiza que atualmente a maior parte dos casos de afastamento do trabalho ocorre em função de problemas psíquicos, na proporção de seis em cada dez afastamentos. “Ainda é preciso considerar que na maioria das situações, o adoecimento físico causa problemas psíquicos. Com isso, temos uma verdadeira legião de trabalhadores afastados por ambas as causas, completamente dependentes de medicamentos controlados”, lamenta a assessora da Fetrafi-RS.

De acordo com a assessora, embora os números sejam expressivos, ainda não retratam de maneira fiel a gravidade da situação, pois boa parte dos trabalhadores continuam exercendo suas atividades mesmo doentes.

Prevenção e combate

O movimento sindical continua cobrando a melhoria das condições de trabalho nos bancos de maneira incansável, tanto durante a Campanha Salarial, quanto na mesa específica de Saúde com a Fenaban. “Os números provam a importância da nossa luta. Para transformar o ambiente de trabalho nos bancos temos que enfrentar a ambição do setor e a violência organizacional, que impera na gestão de recursos humanos do sistema financeiro. Trata-se de um esforço contínuo, no sentido de preparar a categoria para o enfrentamento deste problema de forma coletiva”, analisa a diretora de Saúde da Fetrafi-RS, Denise Corrêa.

*Imprensa Fetrafi-RS

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