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50 ANOS DO GOLPE MILITAR E AS FERIDAS ABERTAS NO BRASIL

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Ditadura foi militar, mas contou com forte apoio da direita civil, como a imprensa, empresários, latifundiários e, mas ativamente, do governo dos Estados Unidos, que financiaram boa parte do golpe

Ainda há quem se refira ao movimento mais nefasto da história do país como “revolução”, mas o que aconteceu no Brasil entre 31 de março e 1 de abril de 1964 tem outro nome: golpe militar. E neste ano, o cinquentenário daquele movimento que derrubou o presidente João Goulart será lembrado como a mais terrível e dolorosa efeméride da história do Brasil. Será um momento igualmente importante para refletir sobre o golpe e seus apoiadores, muitos deles ainda na ativa hoje. Manchetes dos jornais da época deixam claro que a mídia também apoiou o golpe (veja nesta página).

Os vinte anos de ditadura (1964-1984) deixaram enormes feridas abertas no país. Foi um período de repressão, perseguição, tortura, corrupção e assassinatos nos porões militares. Muitos dos brasileiros que ousaram lutar contra aquela barbárie, simplesmente desapareceram.

 

Apoio dos EUA

Em seu livro 1964: o Golpe, (L&PM) o jornalista Flávio Tavares afirma que os Estados Unidos participaram ativamente do golpe, através do embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, e, mais adiante, com colaboração do seu adido militar, Vernon Walters, que deixou sua missão na Itália para conspirar contra o governo brasileiro. Sem falar na enxurrada de dólares despejada no Brasil após a reunião entre Kennedy e na Casa Branca em 1962. Naquela época, centenas de candidatos ao Senado, Câmara Federal e Assembleias Estaduais, considerados amigos dos EUA e inimigos dos comunistas, foram beneficiados com verba generosa. Além disso, financiavam-se institutos como o IPÊS e o IBAD, que tinham função de propagar o receio ao "perigo vermelho" e preparar o clima do golpe. O fundamental era disseminar o medo, inclusive pelos filmes alarmistas da época.

Há fortes evidências de que o golpe contra o governo de João Goulart já vinha sendo tramado no gabinete do presidente John Kennedy, desde 1962. Um áudio registrado em 7 de outubro de 1963, portanto 46 dias antes do seu assassinato em Dallas, mostra Kennedy como um "campeão desse projeto". Ou seja, a derrubada do governo brasileiro.

 

O estopim do golpe

Um inflamado discurso do presidente João Goulart, no Rio de Janeiro, que apontava a necessidade de uma reforma agrária e a nacionalização das refinarias estrangeiras de petróleo, foi o estopim para que as elites e os militares se organizassem para tomar o poder à força.

Logo nos primeiros anos, a ditadura acirrou, decretando o famigerado AI-5. Das trevas de1968 até 1978, quando os atos institucionais são revogados, vem a Anistia e a transição para a democracia, que para alguns se encerra em 1985, com o primeiro governo civil, e para outros se estende até 1988, com a Assembleia Constituinte.

 

A Mídia e o Golpe
Veja alguns trechos de matérias publicadas na imprensa brasileira nos primeiros dias do golpe

 

“Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade … Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas” (Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 1º de Abril de 1964)

“Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos”. (O Globo – Rio de Janeiro – 2/4/64)

“Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente das vinculações políticas simpáticas ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem. (O Globo – RJ – 4/4/64)

“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares. (O Estado de Minas – BH – 2 de abril de 1964)

“A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento”. (O Dia – RJ- 2/4/64)

“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou., o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu.”
(Tribuna da Imprensa – RJ – 2/4/64)

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