Em uma das salas de uma grande casa no extremo leste da capital paulista, sem letreiros e com um grande portão cinza para impedir a identificação de quem circula lá dentro, um grupo formado exclusivamente por mulheres reúne-se em círculo.
Ao centro, a assistente social e integrante da Marcha Mundial de Mulheres, Sônia Coelho, toca em um assunto que nenhuma delas ali jamais ouviu falar: o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, que os movimentos sindical e social promovem entre os dias 1º e 7 de setembro.
O local escolhido, o núcleo de defesa e convivência da mulher “Viviane dos Santos”, inaugurado em 2004, em Lajeado, durante a gestão da prefeita Marta Suplicy (PT), não poderia ser mais apropriado.
Além de dar suporte à mulher vítima de violência, a casa também discute a formação de cidadãs e, para isso, aposta em bate-papos sobre políticas da maneira mais popular possível.
Fruto da organização das mulheres da região durante uma década, a casa também terá uma urna para coleta de votos, mas o acesso será restrito àquelas que já são atendidas e familiares ou amigas que vierem acompanhá-las.
Um tema ainda distante
Em algumas das intervenções de Sônia Coelho ficava claro que a democracia participativa ainda é uma incógnita para a esmagadora maioria das brasileiras. Apenas uma das pessoas levantou a mão quando perguntada se alguém ali participou de conferências nacionais como a das mulheres ou se participa de conselhos.
Fonte: CUT