Notícias

NOVA REGRA PARA DEMISSÃO REDUZ PROTEÇÃO AO TRABALHADOR E LIMITA AÇÃO SINDICAL

Para especialista do Dieese, dispositivo pode ‘legalizar fraudes’ 

 


Alterações nas rescisões de contratos de trabalho previstas na reforma trabalhista limitam a atuação dos sindicatos e devem reduzir a proteção aos trabalhadores. Segundo o supervisor técnico do escritório regional do Dieese em São Paulo, Victor Pagani, o fim da obrigatoriedade da homologação de rescisões pelo sindicato da categoria ou pela unidade do Ministério do Trabalho, deixará o empregado desprotegido, sem poder contar com a assistência de um especialista na conferência dos cálculos das verbas devidas no momento do rompimento do contrato.

Ainda mais grave, avalia Pagani, é que a nova lei cria um termo de quitação anual das obrigações trabalhistas. Ou seja, a cada ano o trabalhador poderá ser forçado pelo empregador a dar um "de acordo" em suas condições de emprego e trabalho, dificultando ainda mais a possibilidade de acionar a Justiça do Trabalho em decorrência de violações de direitos nos exercício do contrato de trabalho. Nesse caso, a única exigência é que o documento seja firmado perante o sindicato da categoria. 

Para Pagani, esse termo de quitação "pode acabar virando uma forma de legalização da fraude". Em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta terça-feira (25), o supervisor do Dieese observa que não são poucas as empresas que descumprem os direitos dos trabalhadores, e o fazem, muitas vezes, de maneira intencional e deliberada. Segundo ele, empresários podem tirar proveito do receio do trabalhador de perder o emprego para coagi-los a assinar documento abrindo mão de direitos. 

A regra que estabelece a quitação total de débitos trabalhistas nos chamados programas de demissão voluntária (PDVs) ou incentivadas (PDIs) também é preocupante. Com ela, firmada a adesão ao programa, o trabalhador não poderá requerer, na Justiça, débitos pendentes. 

O pretexto de estimular a negociação entre trabalhadores e empresários, segundo o especialista, é desmontado com por esses e outros aspectos da nova legislação. Por exemplo, as empresas se desobrigarem de realizar negociações prévias com sindicatos em casos de demissões coletivas. Ouça a entrevista.

*RBA

 

Veja outras notícias

Lucro do Banco do Brasil despenca 53,5% no 1º trimestre de 2026

Resultado é pressionado pela alta da inadimplência, aumento do custo do crédito e redução do quadro de funcionários, aponta análise do Dieese A análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre o balanço do Banco do Brasil...

Comando Nacional propõe “Pacto pela saúde dos bancários”

Movimento sindical denuncia correlação entre aumento expressivo de afastamentos por doenças mentais entre bancários e a prática de gestão por metas abusivas O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários se reuniu nesta quinta-feira (15) com a Federação Nacional dos...