
Terceira audiência de mediação materializa mais polêmicas; nesta quinta (18) tem Plenária virtual do Comando e dia 1º de junho ocorre a quarta rodada no MPT
Em mais uma rodada das audiências intermediadas pelo Ministério Público do Trabalho sobre o Plano de Cargos, Funções e Salários (PCFS) do Banrisul, nesta terça-feira (16), o prazo para adesão foi novamente prorrogado pelo banco. Os empregados terão até o dia 20 de junho para optar ou não pela migração.
O movimento sindical vem questionando a elaboração e implantação do novo plano de cargos, construído sem debate com a representação dos trabalhadores. Através da mediação do MPT, SindBancários e Fetrafi-RS buscam esclarecer pontos nebulosos e remover possíveis injustiças do processo, evitando a falta de paridade entre os funcionários.
Na ocasião, a procuradora do Trabalho Fernanda Arruda Dutra apresentou dúvidas apontadas por funcionários do Banrisul, colhidas em consulta informal pelo próprio MPT. O teor dos questionamentos levados à audiência pelo Ministério Público do Trabalho não difere daquele apontado pelos sindicalistas.
Falta de isonomia alerta trabalhadores
O presidente do Sindicato dos Bancários, Luciano Fetzner, manifestou apreensão quanto à falta de isonomia entre os colegas no novo plano. “Nos preocupa se o acesso ao processo de seleção das novas funções estará disponível a todos e, se estiver, como garantir equidade nesses processos de candidatura de funções de confiança, como estão chamando”, afirmou.
Raquel Gil, diretora da Fetrafi-RS, pontuou que é preciso evitar qualquer tipo de subjetividade em eventuais seleções. “O banco não pode, nestas seleções, preterir quem não optar pela adesão ao novo plano. É necessário ter garantias de haver paridade entre a ascensão de quem ficar no atual plano e quem migrar; só assim garantiremos que a migração é de fato uma opção sem assédio e sem discriminação”, disse.
Segundo o assessor jurídico da Fetrafi-RS, Milton Fagundes, uma situação parecida ocorreu na Caixa, em 2010, quando o movimento sindical precisou entrar com uma ação para assegurar que não houvesse discriminação em processo seletivo da instituição. À época, a garantia foi estabelecer um percentual para quem escolheu o plano novo e o mesmo para quem ficou no anterior. A procuradora sugeriu que as entidades representativas dos trabalhadores negociem com o Banrisul uma cotização para garantir a equidade na Convenção Coletiva.
“Este é um plano criado para pagar mais para quem já ganha mais?”, questionou a diretora do Sindicato Ana Guimaraens, ao analisar a simulação apresentada pelo banco na audiência. A dirigente argumentou que o Adicional de Fidúcia Especial é um incentivo financeiro para aqueles que já ganham bem.

Falta clareza e divulgação
As entidades de representação dos trabalhadores criticaram também a ausência de divulgação da extensão do prazo, já que ontem, dia 16 de maio, os funcionários ainda não haviam recebido comunicado do banco de que a data final para migração havia sido prorrogada até 19 de maio – prazo este determinado já na audiência anterior, em 10 de maio. Para os sindicalistas, a inexistência dessas divulgações também acaba pressionando os trabalhadores, que precisam tomar uma decisão desse nível e complexidade até o dia informado, sem saber que o prazo foi novamente postergado.
As mudanças de rumo na gestão do Banrisul, com a indicação de Fernando Lemos para a presidência, também foram citadas na audiência. As entidades entendem que com a transição o diálogo passará a ser com a nova Diretoria.
Baixa adesão traduz a insegurança dos trabalhadores
Segundo dados do banco, menos de um quarto dos empregados elegíveis optaram pela adesão, o que, analisam os sindicalistas, demonstra a insegurança dos empregados em relação ao novo plano. Dos 8.600 empregados elegíveis, apenas 24% se manifestou, enquanto aproximadamente 75% não respondeu ao termo de adesão.
De acordo com a diretora Silvia Chaves, a mostra dos dados justifica a posição do movimento sindical sobre a injustiça do processo. “Mesmo o banco apresentando o PCFS em Pdf, vídeos, reuniões com colegas, etc, ainda assim, 75% do quadro não se sente seguro em optar por um plano que retira direitos e não dá certeza de futuro na carreira”, avaliou.
O Sindicato reiterou o pedido de criação de uma comissão paritária para estudo do assunto e a suspensão do processo de adesão por 150 dias, frente à insegurança dos empregados do banco em migrar, demonstrada pelo baixo número de adesões até o momento. “É premente que o Banrisul acate nosso pedido de suspender e negociar em mesa o novo Plano de Cargos, Funções e Salários para que possamos corrigir os rumos desse processo”, finalizou o presidente do SindBancários.
Banrisulenses terão plenária ainda nesta semana
Nesta quinta (18), às 19h, o Comando Nacional dos Banrisulenses promove plenária virtual sobre o PCFS. A atividade pretende atualizar os funcionários sobre as últimas reuniões com a direção do Banrisul, além de elencar e esclarecer as dúvidas dos colegas. Os questionamentos e pontos de discordância sobre o PCFS serão levados pelo movimento sindical na próxima audiência com o MPT, agendada para o dia 1º de junho.

Participe!
Link para a plenária
ID da reunião: 870 2044 6942
Senha de acesso: 351491
FONTE: SINDBANCÁRIOS