Notícias

Projeto de deputada bolsonarista ataca Lei do Racismo e reforça retrocessos históricos

Proposta escancara a vontade de enfraquecer o combate ao racismo no Brasil

A proposta da deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) de alterar a Lei 7.716/89 — conhecida como Lei do Racismo — representa mais do que uma tentativa de flexibilizar uma legislação fundamental no combate à discriminação racial no Brasil. É um grave retrocesso, que atinge diretamente a população negra e reforça estruturas de exclusão históricas ainda presentes na sociedade brasileira.

O Projeto de Lei apresentado nesta quinta-feira (5) propõe mudanças no artigo 20 da norma, que prevê penas de um a três anos de reclusão para quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Na prática, trata-se de uma tentativa de esvaziar uma das principais ferramentas legais existentes contra o racismo no país.

A reação de movimentos sociais, entidades sindicais e lideranças do movimento negro foi imediata. Para Almir Aguiar, Secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, a proposta é uma afronta. “Isso é mais um ataque à população negra. Esse povo acha que a escravidão não acabou e reforçam o racismo estrutural alimentando o retrocesso. O próprio Bolsonaro fez referência aos quilombolas pesando em arrobas. Que seus filhos são educados e não namorariam pessoas negras.”

A fala de Almir expõe a continuidade de uma lógica de poder racista, que se perpetua no discurso de figuras públicas e agora tenta se institucionalizar por meio de alterações legislativas. O projeto da deputada Caroline de Toni, além de ecoar esse discurso, ignora por completo o contexto histórico de desigualdades raciais no Brasil e tenta desmontar um instrumento que, embora ainda subutilizado, é essencial para a responsabilização de crimes de ódio racial.

A tentativa de relativizar ou amenizar os efeitos da Lei do Racismo não acontece por acaso. É parte de uma agenda política que visa desmontar políticas de proteção social, direitos humanos e combate à desigualdade. E, neste caso específico, visa desmobilizar a luta antirracista, criminalizando ainda menos aqueles que promovem discursos de ódio.

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, e essa desigualdade tem cor. Flexibilizar o combate ao racismo é autorizar, por omissão, a continuidade de uma violência cotidiana que impacta milhões de brasileiros e brasileiras negros.

A resistência a esse projeto precisa ser ampla, articulada e firme. Reforçar o combate ao racismo, proteger a Lei 7.716/89 e ampliar sua aplicação deve ser o compromisso de toda a sociedade que acredita na justiça social e na igualdade racial.

Veja outras notícias

Lucros crescem, mas Santander começa 2026 com demissões e sobrecarga

O ano mal começou e o clima já pesou no Santander. O banco tem promovido, nas primeiras semanas de 2026, desligamentos abruptos e sem transparência. Os diretores do Sindicato atenderam trabalhadores de carreira, com anos — e até décadas — de dedicação, dispensados de...

PLR dos bancários 2026

A Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) dos bancários em 2026 é regida pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2024–2026, que define critérios de cálculo e prazos de pagamento. O pagamento é feito em duas parcelas. A primeira, de antecipação, é creditada até...

Sindicato solicita o pagamento do PRB e Bradesco nega

Em reunião online realizada na tarde desta quinta-feira 12, o Sindicato, por meio da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, solicitou ao banco o pagamento da parcela fixa do Programa de Remuneração Bradesco (PRB). A cobrança ocorreu porque a ROE...