Mobilização reuniu centenas de trabalhadores do setor público e privado na Capital gaúcha e reforçou a pressão sobre o Senado para aprovação da pauta

Centenas de trabalhadores participaram, nesta terça-feira (30/6), da Marcha da Classe Trabalhadora, que partiu da Rodoviária de Porto Alegre e percorreu diversas ruas do Centro, até o Palácio Piratini, onde se somou ao ato dos servidores públicos estaduais.
Convocada pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, CUT, Fórum das Centrais Sindicais e pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT), a mobilização aconteceu simultaneamente em diversas cidades do país.
Na Capital, representantes de entidades dos setores público e privado se manifestaram em torno de pautas comuns, como o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial, a valorização dos serviços públicos e a defesa dos direitos da classe trabalhadora.
Diretor do SindBancários e vice-presidente da CUT-RS, Everton Gimenis destacou que mais de 70% da população é a favor do fim da escala 6×1 e que essa é uma luta essencial para a classe trabalhadora. “Precisamos diminuir a jornada de trabalho, sem redução de salário, e acabar com essa escala desumana. Nós, bancários, estamos solidários às demais categorias para acabar com isso. Temos que pressionar o Senado, principalmente o presidente Davi Alcolumbre, que está querendo adiar a votação para depois da eleição, para que os senadores já eleitos possam votar contra o povo”, denunciou.
Para o diretor do SindBancários e secretário da CUT-RS, Tiago Pedroso, é fundamental a pressão social para buscar a aprovação da pauta. “Esse Congresso é o mesmo que tentou ampliar a jornada dos bancários para seis dias por semana, e nós, com muita mobilização, conseguimos parar isso. Os bancos são os grandes lobistas na precarização de direitos, como foi com as reformas Trabalhista e Previdenciária. Então a luta pelo fim da 6×1 e redução da jornada é também uma luta dos bancários”, defendeu.
Unidade entre trabalhadores fortalece a luta
Durante a marcha, o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, ressaltou a importância da unidade entre trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público diante dos desafios enfrentados pela classe trabalhadora e dos ataques aos serviços públicos.
Segundo ele, escolas, hospitais, serviços de segurança e diversas políticas públicas essenciais para a população dependem da valorização do serviço público e de seus trabalhadores. Ao mesmo tempo, alertou para o avanço das privatizações e da lógica de mercado sobre áreas fundamentais para a sociedade.
“Hoje é um dia de muita luta. Quando o setor público e o setor privado caminham juntos, estamos defendendo um país e um estado melhores. O serviço público é fundamental para a vida da população e não pode ser tratado como mercadoria.”
Ao chegar ao Palácio Piratini, os participantes da marcha encontraram os servidores públicos estaduais que realizavam mobilização contra a política de privatizações e em defesa dos serviços públicos. A convergência dos dois atos reforçou a compreensão de que a luta por melhores condições de trabalho está diretamente ligada à defesa do patrimônio público e dos direitos sociais.

Fim da escala 6×1 ganha apoio da população
Uma das principais bandeiras da mobilização foi o fim da escala 6×1, modelo que obriga milhões de trabalhadores a laborarem seis dias para ter apenas um de descanso. Para as entidades sindicais, esse formato reduz a convivência familiar, amplia o desgaste físico e mental e dificulta o acesso ao lazer, à educação e à participação social.
O debate tem ganhado força em todo o país. Pesquisa Datafolha divulgada neste ano apontou que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, enquanto apenas 27% são contrários à mudança. O levantamento demonstra o crescimento do apoio popular à pauta, impulsionada pela mobilização de trabalhadores e movimentos sociais.
Outro estudo, realizado pela Genial/Quaest, mostrou que 68% da população é favorável à redução da jornada de trabalho, reforçando que a reivindicação já extrapolou o movimento sindical e passou a contar com amplo respaldo da sociedade.
Mais tempo para viver
Durante sua fala, Amarildo destacou que a luta pela redução da jornada está diretamente relacionada à qualidade de vida da população trabalhadora. Ele criticou a realidade enfrentada por milhões de brasileiros submetidos a jornadas extensas, salários baixos e pouco tempo para o convívio familiar.
O dirigente também chamou atenção para o impacto da atual jornada sobre as mulheres, que continuam assumindo a maior parte das tarefas domésticas e do trabalho de cuidado, mesmo quando possuem emprego formal.“O povo brasileiro quer o fim da escala 6×1 e uma jornada de 40 horas semanais. Quer ter direito a dois dias de descanso para conviver com a família, estudar, participar da comunidade, praticar sua fé, se divertir e cuidar da saúde.”, afirmou Amarildo.
A CUT-RS defende que os avanços tecnológicos e os ganhos de produtividade obtidos ao longo das últimas décadas devem ser revertidos em melhores condições de vida para quem produz a riqueza do país. Nesse sentido, a redução da jornada sem redução salarial é vista como uma medida capaz de gerar mais bem-estar, reduzir o adoecimento relacionado ao trabalho e ampliar a geração de empregos.
Pressão sobre o Senado
Os participantes da marcha também cobraram do Senado Federal o avanço das propostas que tratam da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1. Para as entidades organizadoras, a pauta representa uma demanda urgente da classe trabalhadora brasileira e uma oportunidade de modernizar as relações de trabalho no país.
Ao final do ato, a avaliação das centrais sindicais foi de que a mobilização demonstrou a força da unidade entre trabalhadores do setor público e privado e reforçou a disposição da classe trabalhadora de seguir pressionando por mais direitos, melhores condições de vida e valorização do trabalho.