Banco ainda concordou com pedido de ultratividade; Movimento sindical reitera a negociação coletiva como o instrumento central para preservar conquistas e promover avanços nas condições de trabalho
Após cobrança da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e das mobilizações das empregadas e empregados em todo o país, o banco confirmou a retomada das mesas de negociação para esta quarta-feira (16), na capital paulista. O pedido da organização sindical pela reabertura das negociações inclui ainda a garantia de todos os direitos do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
“A mobilização precisa continuar, assim como o processo negocial”, aponta a coordenadora da Caixa Econômica Federal e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Luiza Hansen. “Sem a trajetória de unidade nacional e das mesas de negociação, não teríamos avançado em conquistas históricas, como a jornada de 6h, o direito à sindicalização e resistido às ameaças de privatização nos governos FHC, Temer e Bolsonaro. Foi também por meio da mesa única que conquistamos o plano de saúde próprio, a PLR Social e tantos outros avanços em acordos coletivos”, completa a dirigente.
Entre as conquistas dos empregados da Caixa, obtidas por meio da mobilização das mesas de negociação, estão:
– Jornada de 6 horas (1985): conquistada após uma greve nacional histórica de 24 horas, que também garantiu o direito à sindicalização dos empregados do banco.
– Mesa única de negociação (1999): formalização da unidade nacional, integrando os empregados da Caixa às campanhas nacionais dos bancários.
– Campanha Nacional Unificada dos Bancários (2003): primeira participação formal na mesa única, consolidando a conquista.
– Saúde Caixa (2004): criação e manutenção do plano de saúde próprio dos empregados, fruto de negociações contínuas de assistência médica e de grupos de trabalho.
– Plano de Cargos e Salários – PCS (2008): fruto da luta na greve de 2007, acabou com a desigualdade na progressão de carreira dos planos anteriores e implantou a tabela única de salários com promoção por mérito.
– PLR Social (2010): participação nos lucros diferenciada para reconhecer o papel social do banco público.
– Incorporação de Gratificação (2023): retorno de regras para a incorporação de gratificação de função após 10 anos de exercício do cargo de confiança.
– Fim da função minuto (2024): extinção de um modelo que gerava grande desgaste e precarização na remuneração por tarefas de chefia/caixa.
Trajetória recente das mobilizações e negociações
A greve dos empregados e empregadas da Caixa começou no dia 10 de setembro, como resultado de assembleias realizadas em todo o país, que também rejeitaram a proposta do banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
“Ao longo período de quase dois meses de processo negocial, tivemos alguns avanços nas negociações, como critérios de promoção por mérito sem metas, criação de um grupo de trabalho para discussão de PCS, PSI e remuneração variável, e em outras medidas relacionadas à diversidade, como o censo, equidade de gênero, comissões, combate à discriminação e acessibilidade para pessoas com deficiência. Por outro lado, ainda não alcançamos consenso em outros pontos importantes para os empregados, como no Saúde Caixa e nos programas de remuneração”, explica Luiza Hansen.
Ainda no dia 10 de setembro, o banco e a CEE realizaram outra rodada de negociação, ocasião em que a Caixa apresentou novas propostas ao Saúde Caixa, mas que foram rejeitadas em assembleias realizadas em 11 de setembro, quando também a maioria dos funcionários votou pela manutenção das greves.
Paralelamente a esse movimento, a Contraf-CUT encaminhou à Caixa um ofício para a retomada das negociações, solicitando ainda a ultratividade, para garantir a continuidade dos direitos do ACT enquanto as tratativas estiverem em andamento.
Finalmente, nesta terça-feira (15), a Caixa respondeu positivamente ao pedido da ultratividade e à retomada da mesa de negociação, agendada para esta quarta-feira (16).
“O movimento sindical reitera a negociação coletiva como o instrumento central para preservar conquistas e promover avanços nas condições de trabalho”, destaca Luiza. “A retomada do diálogo representa, também, mais um passo fundamental para assegurar os direitos dos empregados da Caixa, mantidos sob a garantia da ultratividade. Esperamos que, nesta próxima rodada, aconteçam avanços que correspondam às mobilizações da categoria”, completa a coordenadora da CEE.
Clique aqui e veja as propostas da Caixa, feitas até a última rodada (10 de setembro).