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BALANÇO DIZ QUE DIREÇÃO DO BANRISUL NÃO TEM MOTIVO PARA DRIBLAR DIÁLOGO DO PLANO DE CARREIRA

Se fôssemos resumir em poucas palavras a relação que a tentativa da direção do Banrisul de impor um Plano de Carreira prejudicial para os trabalhadores e para o próprio banco e a queda anunciada de 4,54% no lucro líquido do primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado tem, poderíamos dizer que não há motivo algum para os diretores evitarem o diálogo com os banrisulenses e com seus representantes sindicais.

Se o lucro líquido caiu, o provisionamento ficou bem acima do crescimento da provisão dos demais bancos, expresso no aumento de 52,61%. Trata-se daquele dinheiro que sai do lucro para ficar no caixa. Isso se torna ainda mais dramático quando pensamos que o discurso de eficiência esbarra no aumento da inadimplência e do risco. Isso porque, segundo comparação do DIEESE, o índice de inadimplência em produtos e serviços comercializados pelo banco com vencimento acima de 90 dias passou de 2,54% para 3,3%. Se essa provisão é justificada por essa variação da inadimplência, significa que o banco está sendo menos rigoroso ou oferecendo crédito para devedores que oferecem maiores riscos.

O presidente do SindBancários, Mauro Salles, explica que essa prática do Banrisul está embasada em um discurso de exagero na eficiência que não faz sentido diante do desempenho dos bancos no Brasil. O Banrisul se insere neste contexto. "Não há justificativas para o banco público dos gaúchos não dialogar sobre um Plano de Carreira que apresentou e que é prejudicial ao próprio banco e aos banrisulenses. Se não, como o banco vai suportar no futuro o imenso passivo que está produzindo e que se manifesta com a unanimidade do descontentamento dos trabalhadores de todos os setores com relação ao quadro atual e ao que foi proposto pela direção? Os gestores não podem nem invocar como justificativa o maior volume de contratação, pois a despesa com pessoal não cresceu na mesma proporção, sendo que os novos contratados recebem o piso do banco", analisou o presidente do SindBancários.

Mauro Salles se refere à variação negativa de dois indicadores relacionados ao que os gestores chamam de custo, mas que se trata de investimento em trabalhadores. O número de empregados aumentou em 12,56%, enquanto a despesa com pessoal subiu 10,94%. No ano passado, eram 10.277 e passaram 11.568 em março de 2013. "O balanço mostra que não há motivo para a atual direção atacar os trabalhadores e o movimento sindical como nunca na história do Banrisul. Não há motivos para não haver um diálogo que construa uma carreira justa para os banrisulenses. Ainda mais agora que a concorrência está mais acirrada e o banco precisa muito mais daqueles que realmente movem o Banrisul, que são os bancários e as bancárias", acrescenta Mauro Salles.

O Informe do DIEESE, com data da quarta-feira 15 de maio, elaborado no mesmo dia que o banco divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2013, avaliou o crescimento da despesa de pessoal em relação ao aumento do número de funcionários e exaltou o crescimento de 16,3% nas operações de crédito como pontos positivos. O estudo também destacou que a situação para o banco melhorou, já que houve aumento da cobertura Despesas de Pessoal pela soma da Receita de Prestação de Serviço e da Renda de Tarifas Bancárias. Na comparação dos três primeiros meses de 2012 aos de 2013, essa cobertura subiu de 68,69% para 71,55%.
A conclusão é que o aumento menor do impacto da folha de pagamento em relação ao aumento de número de funcionários se deve ao maior número de trabalhadores recebendo salários iniciais com base no piso "mesmo considerando que, nesse período, além do reajuste previsto na data-base (01/09), houve promoções de trabalhadores".

*SindBancários

 

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