Credores terão de reclamar os pagamentos na Justiça
O Banco Central decretou nesta sexta-feira, 14, a liquidação do Banco Cruzeiro do Sul após o fracasso das negociações para a venda da instituição ao Santander. As conversas com o grupo espanhol se estenderam até a noite de ontem, mas não tiveram um desfecho favorável. Sem um comprador, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) recomendou ao a liquidação do banco, confirmada há pouco pelo Banco Central.
O Cruzeiro do Sul teve um rombo contábil de R$ 3,1 bilhões e está com patrimônio negativo. A instituição tem 0,25% dos ativos do sistema financeiro nacional e 0,35% dos depósitos.
Para evitar a liquidação, o FGC tinha de encontrar um comprador e obter êxito na negociação das dívidas. Quase 90% dos credores aceitaram o desconto de 49,3% no valor devedor.
Com a liquidação, os credores terão de reclamar os pagamentos na Justiça. O FGC garante a cobertura integral de depósitos até R$ 70 mil e mais os CDBs que foram comprados com garantia especial, conhecidos como DPGE.
Segundo o Banco Central, cerca de 35% dos depósitos do Cruzeiro do Sul contam com a garantia do FGC, que deve desembolsar R$ 1,9 bilhão para as coberturas.
PROSPER
O BC também decretou a liquidação do Banco Prosper, que teve a proposta de mudança de controle ao Cruzeiro do Sul rejeitada. De acordo com o comunicado, a instituição vinha registrando prejuízos, expondo credores a risco anormal e estava com patrimônio insuficiente.
O Prosper tem 0,01% dos ativos do sistema financeiro e 0,01% dos depósitos, cerca de 60% deles contam com garantia do FGC.
Em consequência à liquidação, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores do Banco Prosper. A penalidade segue valendo também aos responsáveis pelo Cruzeiro do Sul, afetados desde a intervenção, em 4 de junho.
NEGOCIAÇÕES
Cinco bancos se credenciaram para analisar os dados estratégicos do Cruzeiro do Sul, mas três desistiram na semana passada por achar o negócio arriscado.
Nesta semana, só o Bradesco ainda participava das negociações. O BTG Pactual, que era visto como um dos favoritos, também desistiu de fazer uma oferta. Na última hora, negociadores foram atrás do Santander, que aceitou discutir o assunto.
Um dos entraves era a dúvida quanto ao valor de benefício fiscal que poderia ser apurado no caso da compra. As estimativas iniciais eram de até R$ 1 bilhão em economia de impostos nos próximos anos. O problema é que esse benefício fiscal foi calculado com base em dados que são contestados.
O comprador teria ainda de trazer pelo menos R$ 700 milhões ao Cruzeiro do Sul.
O rombo financeiro é decorrente de mais de 300 mil empréstimos consignados fictícios, maquiagem de balanço, entre outros crimes.
O principal negócio do Cruzeiro do Sul é o crédito consignado, que não motiva mais os grandes bancos comprarem instituições menores porque eles próprios estão fazendo essas operações, com custos menores. Além do consignado, o banco tem uma corretora e uma gestora de fundos. Essas operações também foram afetadas pela liquidação.
Ontem, as ações do banco subiram quase 25% com o otimismo dos investidores após a adesão dos credores e com a negociação com o Santander.
*Folha Online