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BANCO PÚBLICO SE TORNA IMPORTANTE INSTRUMENTO DE POLÍTICA ECONÔMICA

Os bancos públicos têm se mostrado nessa crise como importantes instrumentos de política econômica para os países em desenvolvimento. Não só no Brasil, mas também na China e no Chile, as instituições estatais ampliaram a participação de mercado e garantiram bases mínimas de expansão do crédito.

"As economias que menos estão sofrendo com a crise são justamente as que têm os sistemas financeiros mais sólidos e com maiores participações dos bancos públicos", afirmou Guido Mantega, ministro da Fazenda. Ele lembrou que nos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) 40% ou mais dos ativos do sistema financeiro são de instituições estatais. "Quem está sustentando o aumento do crédito são os bancos públicos. Se dependêssemos dos bancos privados, estaríamos numa condição pior."

Mantega, presente ao seminário "Bancos Públicos: Financiamento ao Desenvolvimento e Regulação Bancária", promovido pelo Valor Econômico, em São Paulo, ressaltou que, além de elevar os empréstimos, os bancos públicos atendem segmentos esquecidos pelos privados, além de poder fomentar a concorrência e contribuir para o desenvolvimento econômico. "Os bancos públicos são poderosos instrumentos de política econômica e de política anticíclica", completou o ministro.

Segundo dados do Banco Central, enquanto os privados elevaram suas carteiras de crédito em 2,5% desde o início da crise, entre setembro e abril, os públicos registraram evolução de 19,5%. Isso ampliou a participação dos bancos estatais no total de empréstimos de 34,19%, em setembro, para 37,11%, em abril, alta de quase três pontos percentuais.

Um dos setores que apontam mais fortemente essa diferença é o imobiliário, em que houve um claro descolamento da atuação das instituições, com destaque para a Caixa Econômica Federal. Antes da crise, o sistema andava no mesmo patamar de crescimento, na casa dos 30% de expansão. A partir do agravamento das turbulências externas, em setembro, a Caixa passou a elevar as concessões, que atingiram um ritmo de crescimento de 46,7%, em abril. Por outro lado, os bancos privados desaceleraram e registram avanço médio de 22,3% no mesmo mês.

"A resposta à crise só foi possível por decisões tomadas anteriormente, com o amplo processo de fortalecimento dos bancos públicos feito pelo governo federal. Houve aumento da governança e melhora da gestão. Se fosse em 2003, não teríamos condições de responder dessa forma", disse Maria Fernanda Ramos Coelho, presidente da Caixa.

Os bancos públicos estão no centro do debate não só no Brasil. José Luis Mardones, chairman do BancoEstado, instituição estatal do Chile, conta que sua participação de mercado pulou de 13,3%, em dezembro de 2008, para 15,4% agora em maio. Segundo ele, isso se deve à retração dos concorrentes privados e também da posição mais atuante do banco estatal.

"Nossas operações cresceram 14,4% no ano, enquanto os bancos privados tiveram retração de 3,6%", disse. Segundo Mardones, antes da crise a instituição tinha restrições de capital, mas o governo chileno realizou uma capitalização para permitir uma operação mais agressiva.

Outro exemplo são os bancos da China, onde os quatro maiores respondem por mais da metade dos ativos. "Investimos em projetos que outros bancos não achavam interessantes e hoje se mostram bons negócios nas áreas de infraestrutura, tecnologia e também na indústria", afirmou Zhu Qing, chefe da missão do China Development Bank no Brasil.

Ele citou como o primeiro grande investimento a hidrelétrica de Três Gargantas, maior do mundo. "Só o banco de desenvolvimento da China apoiou este projeto." Além de de financiar grandes empreendimentos, o banco já fomentou a construção de 5,5 milhões de casas populares e concedeu 1 milhão de empréstimos estudantis.

Fonte: Valor Econômico, por Fernando Travaglini e Maria Christina Carvalho

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