As medidas macroprudenciais adotadas pelo Banco Central nos últimos meses a fim de desacelerar o crédito e, consequentemente, o consumo, fizeram com que as ações de bancos sofressem. Isso, no entanto, acabou trazendo oportunidades no setor bancário. Não por acaso, dois bancos aparecem entre as ações mais recomendadas para a Carteira Valor de julho.
Fatores externos também pesaram. Nos EUA, há expectativa de uma reforma bancária mais restritiva e, na Grã-Bretanha, uma nova legislação obriga a separação entre os bancos de varejo e de atacado. O objetivo é evitar que as instituições se alavanquem demais no atacado e, no caso de uma crise, o governo seja obrigado a socorrê-las. Com isso, o custo de capitação deve subir, prejudicando as ações dos bancos internacionais. "E os brasileiros sofreram por tabela", lembra Leonardo Pelae Milane, estrategista de pessoa física da corretora do Santander. A instituição colocou as preferenciais (PN, sem direito a voto) do Itaú Unibanco em seu portfólio recomendado.
Os bancos brasileiros sofreram também por conta da expectativa com relação ao novo nível de depósitos compulsórios exigido pelo acordo da Basileia 3. No fim de junho, as autoridades reguladoras do sistema financeiro chegaram a um acordo para exigir capital extra dos maiores bancos do mundo e torná-los mais seguros até 2019. O mercado esperava um reajuste na casa de 6% a 7%, mas recentemente decidiu-se por um aumento menor, de 2,5% a 3%. "Isso tirou o bode da sala; é uma medida benéfica para os bancos", diz Milane.
A favor das ações dos bancos está o fato de as medidas macroprudenciais não estarem desacelerando tanto o crédito como o inicialmente esperado. "Temos visto apenas uma estabilização no volume e pouca piora na inadimplência", ressalta Fernando Góes, analista da Octo Investimentos, que também colocou Itaú entre as recomendações. "A instituição apresenta fundamentos sólidos, com um elevado caixa livre, qualidade da carteira de crédito e capacidade de alavancagem." No primeiro semestre, as PNs do Itaú Unibanco caíram 6,76%, para uma desvalorização de 9,96% do Ibovespa.
Entre os grandes, o Banco do Brasil (BB) é o que está mais descontado, afirma Clodoir Vieira, da Souza Barros. Normalmente, por conta de possível ingerência política, o BB é negociado com desconto entre os grandes bancos, mas agora essa diferença está maior, diz. Em maio, o BB venceu leilão para ser parceiro dos Correios no Banco Postal. "E isso deve agregar valor à instituição", avalia o economista. O banco terá direito de atuar, inicialmente, em 6.195 agências postais a partir de janeiro de 2012. As ONs do BB fecharam o primeiro semestre do ano em queda de 7,73%.
Com duas indicações aparece a OGX Petróleo, juntamente com a Lupatech, fornecedora de equipamentos para o setor de petróleo e gás. A queda de 9,15% da OGX em junho abriu uma oportunidade de compra, avalia Wagner Salaverry, diretor do Banco Geração Futuro. Agora no segundo semestre, a empresa deixará de ser pré-operacional para efetivamente começar a explorar os campos de petróleo. "Mas é uma parcela mais arriscada em nosso portfólio", diz.
Quanto à Lupatech, a aposta recai sobre a expectativa de bons resultados. Em 2010, a empresa anunciou uma série de contratos com a Petrobras, no valor de R$ 2,1 bilhões. "Não só a Lupatech pode anunciar mais contratos, mas os resultados da empresa devem melhorar em 2011, com a conversão de parte da carteira em receitas", diz a Bradesco Corretora em relatório. "De fato, os resultados do primeiro trimestre deste ano já mostraram alguma melhora e acreditamos que a empresa pode ter iniciado uma recuperação", afirma o texto. O relatório ressalta ainda as alienações que a Lupatech espera concluir este ano, que devem resultar em um adicional em caixa de R$ 200 milhões.
Valor Online