Não são apenas os bancos de grande porte que estão se utilizando de recursos de terceiros para montar a rede de varejo. O Banrisul está em meio a uma oferta para captar R$ 70 milhões por meio do fundo imobiliário Novas Fronteiras, com o objetivo de comprar 24 agências.
Ao longo dos próximos 24 meses, o fundo vai às compras, em busca de imóveis. As agências podem ou não ser de propriedade do Banrisul, que hoje tem 459 imóveis. Se pertencerem ao banco, elas passarão por reformas, que devem durar cerca de dez meses. Os pontos, que em sua maioria devem ficar no Rio Grande do Sul, também precisam ter entre 240 e 1200 metros quadrados.
Segundo o Valor apurou, uma série de fatores levou o Banrisul a optar por conduzir sua expansão com recursos de investidores. Um deles é que, por ser um banco controlado pelo governo estatual, o Banrisul precisa aprovar a compra e a reforma de imóveis pela lei de licitação. Ao alugar imóveis prontos do fundo, esse processo deve se tornar mais ágil, acelerando a expansão do banco.
Outro ponto levado em consideração pela instituição financeira é o benefício fiscal que a transação pode trazer. Ao passar a pagar aluguel para o fundo, o banco tem uma despesa, que é deduzida do imposto que o banco tem a pagar.
Também pesou nas ponderações do banco a recente onda de valorização dos imóveis no Brasil. Com isso, os bens imobilizados estão ocupando cada vez mais espaço no balanço das instituições. Pelas regras do Banco Central, os imóveis não podem superar 50% do patrimônio de referência das instituições. No Banrisul esse indicador ainda está em 11,2%.
Até sexta-feira, data final para o recebimento do pedido de reserva de cotas, o Novas Fronteiras tinha tido uma boa aceitação por parte dos investidores. A demanda, segundo o Valor apurou, chegou a R$ 80 milhões, superando em R$ 10 milhões o volume colocado à venda, o que deve gerar um rateio entre os aplicadores.
De acordo com o prospecto da oferta do fundo, o Novas Fronteiras projeta alcançar uma taxa interna de retorno de 14,03% ao ano ao longo de dez anos.
Os investidores pagarão uma taxa de administração de 0,4% ao ano. Pelos serviços de consultoria imobiliária, os cotistas vão arcar com R$ 1,25 milhão no primeiro ano e depois com uma taxa de 4% sobre a aquisição ou reforma dos ativos, além de 3,5% sobre o valor bruto dos aluguéis.
A oferta do Novas Fronteiras foi coordenada pelo Banrisul e pelo banco Brasil Plural, que também estruturou o produto.
Fonte: Valor Econômico