Banco não negocia e prefere tentar intimidar os funcionários
O assim chamado Boletim Pessoal – órgão interno de propaganda e cooptação ideológica do Banco do Brasil – tem sido um instrumento direto de disputa de versões, onde a empresa, através de seu Diretor de Relações com Funcionários e Entidades Patrocinadas expressa sempre uma visão parcial e voltada a apresentar determinados fatos segundo os filtros patronais. Isso não chega a ser uma novidade em empresa nenhuma, no entanto, o que chama a atenção na publicação corporativa que é enviada diretamente aos e-mails corporativos de todos os funcionários é a visão truculenta e autoritária do BB, expressa sem ressalvas e sem pudor.
O "Boletim Pessoal" de hoje (25 de abril de 2013), inclusive é simbólico por ser muito sincero, nele o BB deixa de lado as afirmações (no mínimo questionáveis) de que busca o diálogo e afirma categoricamente que nunca teve a intenção de negociar o Plano de Funções e justifica com a afirmação desrespeitosa de que é uma questão estratégica, ora, segundo essa lógica a empresa não negociará nada, porque qualquer decisão em um ambiente de negócios tem implicações estratégicas, mesmo que indiretas e, principalmente aquilo que diz respeito à vida e à carreira dos seus empregados e empregadas. Ao afirmar da forma como afirma que não negociará "questões estratégicas" o BB está, na verdade assumindo o seu descaso pela vida e pela carreira de cada funcionário, bem como a sua truculência.
Aliás, essa truculência fica mais uma vez demonstrada no parágrafo em que é citada a cláusula 56 da Convenção Coletiva. Neste parágrafo o Banco do Brasil deixa claras a arrogância e a presunção de poder decidir unilateralmente e ao arrepio da lei e da ética o que é dia de greve ou não e ameaça de forma quase explícita com o desconto.
Isso demonstra claramente que não resta alternativa a quem trabalha no BB senão ir à luta e exigir respeito, seriedade e ética e, como o Banco não negocia e prefere tentar intimidar as pessoas a Greve, já avisada à sociedade na forma do que exige a legislação, é a única resposta possível.
O representante da Fetrafi na Comissão de Empresa, Júlio Vivian lembra também que o autoritarismo da direção do Banco não se expressa apenas em instrumentos como o "Boletim Pessoal", mas no dia a dia, na pressão cada vez maior pelo cumprimento de metas inexeqüíveis que adoecem os bancários e achacam os clientes e usuários, no assédio moral, na falta de funcionários para dar conta do volume de trabalho na rede de agências, na falta de investimento em segurança, na implementação sem nenhum tipo de negociação de planos que reduzem salários e retiram direitos sob a alegação falsa de que valorizou a hora-trabalhada em 12% quando a jornada de trabalho do bancário é determinada por lei em 6h diárias, na ânsia mal disfarçada em punir qualquer funcionário que ouse lutar pelos seus direitos, demonstrada inclusive em audiência no Ministério Público sobre práticas anti-sindicais, na individualização das metas, enfim, em cada momento de nossas vidas laborais, de todos nós, independentemente de cargos, comissões ou qualquer outra coisa e os ataques do banco à pessoas que constroem a empresa no dia a dia com o seu trabalho são ataques a todos, ainda que em alguns momentos pareçam mais voltados a um ou outro setor.
Além de nos adoecer e desrespeitar constantemente diz Julio Vivian o BB tenta nos jogar uns contra os outros para nos dominar mais facilmente, por isso a única arma que nos resta é a nossa união, vamos realizar assembléias massivas em todo o País e responder com luta e muita unidade aos ataques do Banco do Brasil.
*Fetrafi-RS