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Bradesco amplia lucro no 1º trimestre de 2026 enquanto mantém cortes de empregos e fechamento de agências

Banco registra crescimento de 16,1% no lucro recorrente e melhora da rentabilidade, mas segue reduzindo postos de trabalho, estruturas físicas e ampliando a sobrecarga dos bancários

O Banco Bradesco encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 6,811 bilhões, crescimento de 16,1% em relação ao mesmo período de 2025 e alta de 4,5% na comparação com o trimestre anterior. O resultado representa o nono trimestre consecutivo de aumento do lucro, segundo relatório divulgado pela instituição.

Apesar do desempenho financeiro positivo, o banco manteve o processo de reestruturação, com redução do quadro de pessoal e da rede física. Em doze meses, foram eliminados 3.017 postos de trabalho — sendo 3.131 entre bancários — e fechadas 346 agências, além de 1.053 postos de atendimento (PA e PAE) e 15 unidades de negócios.

Para a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, Érica de Oliveira, os números evidenciam a contradição entre os resultados recordes e o impacto sobre trabalhadores e clientes. “Trimestre após trimestre, os números do banco e dos acionistas só melhoram. Para os clientes, vemos cada vez menos agências. Para os bancários, aumenta o volume de tarefas e de responsabilidades, já que o número de trabalhadores continua diminuindo. O banco segue no seu processo de reestruturação e nós seguimos reafirmando nossas pautas: mais bancários e mais agências para garantir melhor atendimento à população”, afirma.

Leia aqui os destaques completos feitos pelo Dieese

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 15,8%, com avanço de 1,4 ponto percentual em doze meses. De acordo com o banco, o desempenho positivo foi impulsionado pelo crescimento das receitas em todas as linhas de negócio, com destaque para a evolução da margem financeira com clientes (+16,3%), mercados (+19,7%) e seguros (+20,4%).

Crédito cresce e carteira ultrapassa R$ 1 trilhão

A carteira de crédito expandida apresentou crescimento de 8,4% em doze meses, somando R$ 1,090 trilhão em março de 2026. No trimestre, o avanço foi praticamente estável, com alta de 0,1%.

O segmento pessoa física cresceu 9,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando aproximadamente R$ 474 bilhões. Entre os destaques estão o CDC e leasing de veículos (+25,4%), crédito rural (+17,5%) e cartão de crédito (+10,6%).

Já a carteira pessoa jurídica avançou 7,6% em doze meses, totalizando R$ 615,9 bilhões, embora tenha registrado retração de 1,1% no trimestre. O crédito para grandes empresas cresceu 3,3% no período anual, enquanto o financiamento para micro, pequenas e médias empresas expandiu 14,4%.

A inadimplência superior a 90 dias ficou em 4,2%, com leve aumento de 0,1 ponto percentual em doze meses. As despesas com provisões para perdas esperadas cresceram 24,1%, impactadas por casos pontuais no segmento de atacado, operações antigas de crédito rural e programas emergenciais.

Tarifas seguem cobrindo despesas com pessoal

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias somaram R$ 7,9 bilhões, alta de 8% em doze meses. As despesas de pessoal, já considerando o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), cresceram 4,1%, chegando a quase R$ 6,6 bilhões.

Com isso, as receitas secundárias do banco foram suficientes para cobrir 119,1% das despesas com pessoal, evidenciando a forte contribuição das tarifas para a sustentação dos resultados da instituição.

Redução de empregos e estruturas continua

A holding encerrou março de 2026 com 80.348 empregados, sendo 68.822 bancários. Apenas no primeiro trimestre deste ano, houve fechamento de 1.747 vagas, sendo 1.728 de bancários.

A rede física também encolheu, encerrando o período com 1.938 agências, 1.723 postos de atendimento e 706 unidades de negócios em funcionamento.

Mesmo com a redução da estrutura, a base de clientes cresceu 500 mil em doze meses, alcançando 110,3 milhões. No trimestre, porém, houve redução de 200 mil clientes.

Consulta Nacional debate emprego e condições de trabalho

A discussão sobre melhores condições de trabalho e defesa do emprego também está presente na Consulta Nacional dos Bancários 2026, organizada pelo movimento sindical bancário. O questionário aplicado à categoria inclui perguntas específicas sobre o tema.

A Contraf-CUT orienta que bancárias e bancários participem da consulta, contribuindo com a definição das prioridades da campanha nacional da categoria.

A participação pode ser feita pelo endereço:
https://consultabancarios2026.votabem.com.br/

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