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CAEM EXPORTAÇÕES DE MANUFATURADOS PARA A AMÉRICA LATINA

As exportações do Brasil para os vizinhos da América Latina estão em queda. Empresas de diferentes setores relatam redução nos embarques para a região a partir de outubro, quando estourou a crise global. A economia desses países está desacelerando bruscamente, o que diminui seu apetite por produtos manufaturados brasileiros.

As exportações totais para os latino-americanos começaram a fraquejar em outubro e novembro (altas de 12,4% e 11,1% em relação aos mesmos meses de 2007) e caíram 12,4% em dezembro. De janeiro a setembro, as exportações tiveram desempenho excelente, com alta de 24,5% ante igual período de 2007. No quarto trimestre, o aumento foi de 8,4%, um ritmo bem menos vigoroso. Os manufaturados respondem por mais de 80% das vendas do Brasil para a América Latina.

A situação é mais grave na Argentina, segundo principal destino das vendas brasileiras. As exportações para o país vizinho e sócio do Mercosul se reduziram em um terço em dezembro em relação ao mesmo mês de 2007 pelo critério da média diária. Depois de crescer 33% de janeiro a setembro, as compras argentinas de produtos brasileiros caíram 6% no quarto trimestre do ano.

Com a baixa dos preços das commodities, principal riqueza da região, a América Latina dispõe de menos divisas para importar sem provocar estrago grave nas contas externas. Outro problema para as empresas brasileiras é o aumento do protecionismo em países como Argentina e Venezuela, que tentam blindar seus mercados da crise.

Para os especialistas em comércio exterior, o dano para a balança comercial pode ser significativo, pois a a pujança das compras latino-americanas vinha garantindo as exportações de manufaturados. As vendas para os Estados Unidos – outro importante cliente da indústria – estavam bem mais fracas e cresceram apenas 8% em 2008.

Na Cerâmica Vila Rica, fabricante de utensílios domésticos, as exportações para a Argentina cederam 30% a partir de outubro. "As vendas caíram violentamente de um dia para o outro. Os clientes dizem que o consumidor simplesmente parou de comprar", disse Danilo Marcon, diretor-comercial. O país vizinho responde por 30% das exportações da empresa e o mercado crescia 10% ao ano desde 2003.

"A crise, sem dúvida, afetou mais a Argentina do que o Brasil", disse Milton Cardoso, diretor-executivo da Vulcabras, que comercializa as marcas Azaléia e Reebok. Ele disse que os clientes argentinos pararam de comprar em novembro e cancelaram pedidos para o Natal. Mesmo assim, os estoques estão acima do esperado. Para o executivo, a situação é parecida na Venezuela, Chile, Equador e Peru.

A Vulcabras adquiriu uma fábrica na Argentina no ano passado e pretende manter os investimentos no país. Segundo Cardoso, o governo argentino restringiu as importações chinesas ao exigir licenças de importação, o que beneficia as empresas brasileiras instaladas no país. Apesar da crise, ele acredita que as exportações de calçados devem melhorar no segundo semestre com a ajuda do real mais fraco.

Para o economista do J. P. Morgan, Júlio Callegari, a "virada" na economia da América Latina foi muito forte após a contaminação da crise global. As estimativas do banco indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) da região caiu 2,8% no quarto trimestre anualizado depois de subir 4,4% no terceiro. O J.P Morgan projeta estagnação para o continente em 2009, depois de crescer 4,1% no ano passado. "O real se depreciou, o que é positivo para as exportações, mas não dá para ser otimista, porque o PIB dos países está encolhendo", disse Callegari. Ele acrescentou que o ajuste vai ser mais doloroso na Argentina, cuja economia crescia mais de 8% e deve cair 1% em 2009. O banco projeta estagnação para o México e desaceleração para a Venezuela, com altas de apenas 0,6% e 1,5% no PIB, respectivamente.

A crise global também atingiu as compras de bens de consumo duráveis e bens de capital na América Latina. As montadoras de veículos começaram a dar férias coletivas bem antes do Natal em dezembro no Brasil por conta da brutal queda de demanda de veículos na região. Também foram as exportações fracas que afetaram a atividade da fábrica da General Motors, em São José dos Campos, onde foram demitidos 744 trabalhadores.

Uma grande parte dos veículos que sai de São José dos Campos é voltada à exportação para a América Latina. Trata-se do modelo Corsa, que é preparado naquela fábrica em kits desmontados, para ser depois montado nas fábricas da empresa em outros países, principalmente latino-americanos. Mesmo modelos fabricados em outras fábricas da montadora, se forem exportados em partes e peças, passam pela unidade de São José dos Campos.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) não quer fazer previsões de exportações para 2009 porque entende que não é possível ainda saber como ficará o câmbio não apenas no Brasil como também nos países que importam os carros brasileiros. A América Latina absorve quase 60% das exportações de veículos produzidos no Brasil. "Precisamos averiguar a volatilidade da moeda em todos os países", afirma o presidente da Anfavea, Jackson Schneider.

Na fabricante de bens de capital Romi, os efeitos da crise foram exacerbados pelas medidas protecionistas dos países vizinhos, disse Hermes Lago, diretor-comercial de máquinas ferramentas. A Argentina começou a exigir em novembro um certificado que, na prática, burocratiza e prejudica as importações. Na Venezuela, que pratica controle de divisas para compras externas, as licenças para a entrada de máquinas brasileiras, que já saíam a conta-gotas, diminuíram ainda mais. A América Latina absorve 18% das exportações da Romi.

As vendas da fabricante de ônibus Marcopolo na América Latina ainda não foram prejudicadas pela crise. Segundo o diretor-comercial para mercado externo, Paulo Andrade, os pedidos realizados até setembro cobriram as entregas do ano. Ele relata, no entanto, que as encomendas para o primeiro trimestre de 2009 estão 10% abaixo do mesmo período de 2008. Apesar da crise, Andrade espera manter o volume de exportações este ano, pois os governos da região não sinalizaram mudanças em seus projetos de melhoria do transporte urbano. (colaborou Marli Olmos, de Detroit)

 Fonte: Valor Online

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