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Coletivo Estadual do Santander define próximos passos da luta contra terceirizações no banco

Enquanto as despesas do banco com pessoal caem, aumentam as das empresas controladas e coligadas, deixando clara a transferência da mão de obra

O processo desenfreado de terceirização de pessoal no Santander e o fechamento de agências em todo o Brasil foram temas de debate do Coletivo Estadual de Empregados do Banco na última quinta-feira (20/3). A Contraf-CUT, a Fetrafi-RS e os sindicatos filiados estão juntos em uma forte campanha de mídia para denunciar os abusos do conglomerado espanhol.

Dados do Dieese apontam que, em 2024, os lucros dos cinco maiores bancos do Brasil cresceram substancialmente em relação a 2023, sendo que o Santander obteve o maior percentual (48,6%). Ainda de acordo com esse mesmo levantamento, entre 2018 e 2024, as despesas com pessoal + PLR do banco caíram em 26,76%, enquanto as das empresas controladas e coligadas subiram em 176,46%. Isso mostra claramente a transferência da mão de obra do Santander para terceirizadas, a partir da Lei da Terceirização, de 2017.

Para o representante dos trabalhadores do RS na Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Luiz Cassemiro, o banco está transferindo sua força de trabalho para outras empresas do conglomerado com o objetivo de reduzir os empregos no setor bancário e, com isso, tirar desses trabalhadores os direitos trabalhistas garantidos pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. “Desde 2019, o Santander abriu ou adquiriu 30 novas controladas ou coligadas, nenhuma delas tem uma das cinco CNAEs da categoria bancária. Isto mostra o quanto o Santander está fraudando as relações de trabalho e suas representações. Este modelo afeta diretamente também a arrecadação com imposto para a União”, ressaltou.

Cassemiro observou que, ao fechar agências, reduzir postos de atendimento para os clientes e a população em geral, o Santander está faltando com o compromisso e o respeito com os brasileiros, uma vez que sua autação no País se deve a uma concessão pública. “Esta é uma luta não apenas dos trabalhadores do Santander, mas de todo o movimento sindical bancário, porque se o banco avançar com esse modelo fraudulento de contratação impunemente, os demais bancos seguirão o mesmo caminho”, alertou o sindicalista.

Segundo Luiz Carlos Barbosa, diretor da Fetrafi-RS, dos 36 mil funcionários do Santander, metade são terceirizados, com expectiva de signitificativo aumento para o próximo ano. “A terceirização está acabando com o emprego bancário. Precisamos tomar uma atitude urgente para acabar com essa prática, porque o Santander está rasgando as leis trabalhistas do Brasil. Os bancos privados possuem uma concessão pública, por isso devem respeitar as leis brasileiras e prestar um bom serviço à população. Essa situação já está sendo denunciada publicamente em uma campanha de mídia, mas agora iremos reforçar e levar a questão aos poderes Legislativo e Judiciário”, informou.

A escalada da terceirização no setor bancário

* Começa nos anos 1980, nas áreas de limpeza e segurança;
* Nos anos 1990, a incorporação de inovações tecnológicas reduz em massa os postos de trabalho;
* A partir de 2017, a Lei Nº 13.429/2017 (Lei da Terceirização) permite que as empresas contratem serviços terceirizados para atividades-fim (atividade principal da empresa);
* Em 2023, o número de profissionais terceirizados de TI atuando na segurança cibernética dos bancos aumenta em 89%.

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