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CONTRA O DESMONTE DO SERVIÇO PÚBLICO, CUT-RS REARTICULA FRENTE EM DEFESA DAS ESTATAIS
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          Frente à ameaça de desmonte do serviço público e de privatizações em setores estratégicos , anunciadas pelo ministro da Economia Paulo Guedes e sua equipe, bem como do novo governador do RS, dirigentes da CUT-RS e lideranças sindicais que representam empresas públicas federais e gaúchas se reuniram na manhã desta terça-feira (8) para debater a reorganização de uma frente ampla de defesa do patrimônio público nacional e estadual.

“É preciso disputar junto à população que serviço público não é cabide de emprego, que as empresas estatais cumprem um importante papel de balizar a economia regulando valores e taxas para baixo, evitando assim, a rapinagem do setor financeiro e da iniciativa privada em cima de bens e serviços oferecidos à população”, enfatizou o presidente da Central, Claudir Nespolo, após umas breve explanação do supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Ricardo Franzoi.

Conforme dados do DIEESE, o Brasil hoje possui 138 companhias estatais, 47 delas sob controle direto da União e 91 sob o controle indireto. Dessas, a sua grande maioria é auto-sustentável e não depende de recursos públicos do governo federal para existir, como é o caso do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Petrobrás e da Elétrobras, todas na mira de Bolsonaro.

Mesmo diante da pressão do governo federal em atender aos interesses imperialistas dos grandes bancos e empresas transnacionais, uma pesquisa recente do Instituto DataFolha mostra que 64% da população é contra a extinção das companhias estatais, o que, para o secretário-geral adjunto da CUT-RS,Amarildo Cenci, mostra o legado deixado pelos governos tucanos de Fernando Henrique Cardoso, no imaginário popular do povo brasileiro.

“O brasileiro já percebeu que vender estatal não é sinônimo de economia, mas sim de precarização de serviços, sem falar que esgotado os recursos da venda das companhias públicas, o que resta ao governo é aumentar impostos, que é claro, prejudicam ainda mais a classe trabalhadora”, avaliou o dirigente.

Entre os casos que desmentem a falácia neoliberal de Guedes e Bolsonaro está do Banrisul, banco público gaúcho que durante o governo Yeda Crusius (PSDB) teve 42% de suas ações preferenciais vendidas por R$ 1,26 bilhão e quem comprou em pouco mais de 7 anos recuperou o investimento e agora e só lucros exorbitantes.

“ Somente no 1º semestre do ano passado, o Banrisul registrou um lucro de mais de R$ 500 milhões. Metade disso foi parar nas mãos de uma elite rentista. Agora, o regime de recuperação fiscal quer terminar de entregar à iniciativa privada a estatal que mais dá retorno para os cofres públicos do estado, isso é uma vergonha. Esperamos que o governador Eduardo Leite cumpra sua promessa e não venda o Banco do Estado do Rio Grande do Sul” , destacou Nespolo ao término da reunião.

CEEE, Sulgás e CRM na mira de Eduardo Leite

Em 2015, quando o ex-governador José Ivo Sartori (MDB) propôs extinguir companhias estatais como CEEE, a Sulgás e a CRM, o movimento sindical gaúcho articulou a formação de uma Frente de Defesa do Serviço e do Patrimônio Público. Na época, Sartori teve seus planos frustrados graças à mobilização de sindicatos, federações e demais entidades de classe que representam os interesses da classe trabalhadora articulados com a bancada de deputados de esquerda.

“Agora, a CEEE, a Sulgás e a CRM encabeçam a lista de privatizações idealizadas por Eduardo Leite (PSDB) e sua equipe. Não serão as únicas, mas as primeiras que o novo governador tentará vender”, ilustra a Secretária de Formação da CUT-RS, Maria Helena de Oliveira. Ela, assim como os demais dirigentes da Central, deliberou com apoio unânime dos presentes pela rearticulação de uma frente ampla em defesa do patrimônio público nacional e estadual.

“ O próximo passo é colocar o tema em debate junto às outras centrais sindicais e definir que entidades comporão a frente que já recomeça forte com as entidades presentes, explica Nespolo ao se referir aos próximos passos rumo à rearticulação do movimento. Estamos lançando uma nota pública sobre este tema e ainda no final de janeiro teremos a primeira reunião para providenciar o lançamento público e a campanha de mídia para esclarecer a população”.

CUT

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