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DIÁLOGOS PARA AÇÃO ANALISA TEORIA MARXISTA E ATUALIDADE

O Diálogos para Ação promoveu mais uma grande atividade na manhã desta sexta-feira, 20, na Casa dos Bancários. O terceiro módulo do projeto abordou o tema Poder, Marxismo e Política, a partir de uma palestra com o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Luis Gustavo Mello Grohmann.

O professor concentra suas explanações nos principais elementos que compõem a teoria marxista, como os conceitos de estado, partido e revolução. "É importante falar sobre Marx não somente por conta do interesse histórico sobre teorias que explicavam o mundo ou suas transformações, mas como uma forma de adquirirmos parâmetros para compreender a realidade e vislumbrar o futuro", destaca.

Grohmann faz um resgate histórico sobre a emergência das massas na política, que culminou no século XX em processos de transformação e luta. "O século XX foi marcado pela participação das massas, que receberam um golpe muito forte com a queda dos regimes socialistas do Leste europeu. No entanto, este foi um momento importante de inflexão similar ao que ocorreu na revolução russa. A queda destes sistemas não foi causada por um raio que surgiu num dia ensolarado. Foi uma tempestade gestada ao longo do tempo, no fim dos anos 60 e 70, quando o sistema socialista não conseguiu mais acompanhar as evoluções do capitalismo", observa o acadêmico.

Segundo o palestrante, com o fim dos sistemas socialistas houve uma desconstituição de todo aquele campo de mobilização. "Talvez estejamos assistindo um largo período histórico onde as forças que buscavam padrões mais fortes de transformação estejam afastadas da cena. Contrastando com o século XX, estamos vendo no século XXI discursos mais isolados, para um pequeno número de pessoas, ao contrário da ação de massas. Entendemos massas como setores da sociedade, que se mobilizam por interesses mais profundos", explica.

De acordo com o docente, o mundo pós-moderno está dotado de países mais desenvolvidos pela cultura de autoexpressão, que não admite autoridade, não se conforma com as ideologias e só se sensibiliza pelo politicamente correto. "Assim como se desmanchou o sistema socialista, a sociedade capitalista também se desconstitui devido ao choque das ideologias, das organizações e das ideias. Decretar o fim da ideologia como a pós-modernidade fez é enganoso, porque a própria pós-modernidade é uma ideologia".

A Política

Quanto ao conceito de Política, o professor explica que diz respeito ao poder e processos coletivos com ênfase no poder. "Em Marx, a política é sempre colocada no campo da superestrutura. Uma das grandes descobertas de Marx, também fundamentadas por outros teóricos foi que a construção das condições de vida dos seres humanos implica em política e economia. Neste sentido, na construção do mundo material Marx identifica como se faz o fluxo histórico no sentido macro das grandes tendências, mas também se preocupa com o sentido micro, de microfundamentos".

Grohmann diz que temos a possibilidade de mudar a realidade e reivindicar a capacidade de agir sobre este processo de uma forma diferenciada, algo que os grandes atores políticos sempre fizeram.

A revolução em Marx

De acordo com o professor, o tema da revolução também é importante. "Há dois níveis indicados pelo Marx. Existe o nível macro em que a revolução se insere num período histórico mais profundo e também revela a capacidade de transformação das forças políticas e o voluntarismo, baseado na ideia de que tudo podemos. Ou fazemos a revolução a partir de um processo histórico ou a fazemos porque queremos, isto caracteriza o determinismo ou voluntarismo".

O palestrante observa que o voluntarismo se esquece das condições objetivas da vida e por isso pode dar certo ou não. "Ele é incapaz de formular uma proposição científica para o desenvolvimento da sociedade. Neste momento é que Marx traz o partido. Na época de Marx, os partidos eram de elite. Mas quando o autor fala no partido diz muito mais sobre um grupamento de pessoas que está disposto a revelar as contradições do capitalismo. Para Marx, a revolução é feita pelo proletariado. A ideia de partido político como partido de massa surge no século XX com o sufrágio universal".

Grohmann enfatiza que a forma "partido" é histórica e as possibilidades de transformações na vida política não dependem desta forma. "Nada impede a sociedade de desenvolver outros instrumentos de transformação".

Marx e a desconstituição do Estado

Para o palestrante a destruição do Estado em Marx tem dois momentos. "Inicialmente ocorre a abolição do estado burguês, da revolução, mas ele não desaparece enquanto como superestrutura. Era preciso que gradativamente ele viesse a definhar e este era um dos grandes ideais do Marx. Ele via o campo da associação de pessoas livres e tinha uma posição contrária aos termos que usava o sistema capitalista. O autor tinha como grande utopia para o futuro, a ideia que a as pessoas iriam conseguir gradativamente aumentar seus laços de livre associação. Marx queria outra democracia, onde a autodeterminação das pessoas fosse a regra e não a soberania encarnada no estado. A democracia de Marx está colocada na ideia de comunidade".

O professor concluiu sua palestra destacando que seu objetivo era levantar questões para que os participantes do Diálogos para Ação pudessem refletir de que maneira a obra de Marx pode contribuir para transformar o mundo. "Nós devemos prestar muita atenção às contradições da nossa época. O que pode nos provocar para que não fiquemos a assistir passivamente os acontecimentos e possamos ser sujeitos neste mundo. Talvez este seja o maior ensinamento vindo de Marx", finaliza Grohmann.

Imprensa Fetrafi-RS

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