Professor e pesquisador da Unisinos analisa processo de midiatização e enfatiza desafios no enfrentamento à indústria da mídia
O tema central do módulo do Diálogos para Ação realizado na manhã desta sexta-feira, foi Comunicação. Após a abertura da atividade, feita pelos diretores do SindBancários, Ronaldo Zeni e da Fetrafi-RS, Amaro Souza, ocorreu o painel Comunicação e Democracia, com o professor e pesquisador da Unisinos, Bruno Lima Rocha. Membro da Associação Brasileira de Rádiodifusão Comunitária (Rede Abraço), Bruno também milita pela democratização dos meios de comunicação no Brasil. Clique aqui para ver a galeria de fotos do Diálogos para Ação!
O painelista falou da construção de personagens pela TV, usando como exemplo a apresentadora Xuxa. Filha de um coronel do exército, Maria da Graça Meneghel, natural de Santa Rosa, começou sua carreira como atriz de pornochanchada aos 16 anos e se tornou, graças à Rede Globo de Televisão, em um ícone para o público infantil. "Homens ou mulheres, pelo impacto de serem midiatizados podem vender seus corpos a 10 mil reais por noite", observa o professor.
"Quando falo da mídia, a indústria da mídia, digo que ela não midiatiza a si mesma. Qualquer médico, qualquer psicólogo prova que a erotização da TV brasileira torna precoce o desenvolvimento sexual das crianças", destaca.
Segundo o pesquisador, a comunicação midiatizada superou suas fronteiras de divisão de tarefas e estamos tratando sempre de difusão ideológica. "O nosso problema é debater por que esta indústria é legítima e por que a comunicação feita fora do conceito de mercadoria não é legítima".
Desafios
De acordo com o painelista, uma das grandes batalhas perdidas pelo povo brasileiro na Comunicação foi a consolidação de uma rede de consórcio para estudo do sistema brasileiro de TV digital. Este estudo foi baseado em padrões que já existiam no exterior e o escolhido para o Brasil foi o padrão japonês. "A tecnologia está subordinada às relações de controle, ou seja à política. Seis famílias controlam a TV aberta no Brasil. No caso da TV digital não é diferente".
Rocha salienta que o grande desafio agora é o padrão da rádio digital. Ele também reconhece a importância do rádio na comunicação do RS. "O rádio gaúcho é muito poderoso. As emissoras comerciais trabalham serviço, futebol e notícia. São rádios que legitimam ou derrubam governo. As emissoras comunitárias crescem onde o oligopólio não chega, geralmente municípios com menos de 20 mil habitantes".
O pesquisador diz que as rádios comerciais só conseguem se manter abertas por causa dos anunciantes. "Grandes anunciantes das rádios gaúchas são anunciantes sindicais. Com este recurso do imposto sindical, embora se atinja a categoria, se alimenta a fábrica de verdades deles. Lembro aqui que não há comunicação sem manipulação, sem edição. Na ausência de publicidade estes grupos diminuem o seu poder".
Sobre o palestrante
Bruno Lima Rocha é doutor e mestre em Ciência Política pela UFRGS e jornalista graduado na UFRJ. Ele também é professor do curso de Comunicação Social e pesquisador da Unisinos. Além disso, atua desde 2002 no Grupo de Pesquisa em Comunicação, Economia Política e Sociedade – CEPOS. O fórum estuda a comunicação contemporânea, focada nos processos midiáticos, em sua inserção na sociedade capitalista.
* Fetrafi-RS