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Emprego no setor bancário cai e aumenta o número de autônomos no ramo financeiro

Estudo do Dieese apresenta saldo negativo de 3.325 vagas

Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômicos (Dieese) aponta que, nos últimos 12 meses, houve um saldo positivo no que se refere ao emprego no ramo financeiro, com abertura de 24 mil postos de trabalho, uma média de 2 mil postos/mês. Em contrapartida, no setor bancário, registrou-se um saldo negativo de 3.325 vagas no último ano. Esse resultado poderia ser ainda pior se não fossem as vagas criadas via contratação do Banco do Brasil, pois os bancos múltiplos com carteria comercial extinguiram 3.848 nesse mesmo período.

O levantamento do Dieese mostra um aspecto preocupante dessa “migração” de bancários, maioria demitida sem justa causa, para outros setores do ramo financeiro (crédito cooperativo, empresas de seguros, planos de previdência complementar, etc): jornada média de trabalho superior a do trabalhador bancário e remuneração média inicial inferior. “Essa migração do emprego significa a precarização do trabalho bancário. Os próprios bancos tradicionais estão também terceirizando serviços claramente bancários. É preciso regulamentar o conjunto do Ramo Financeiro antes que todos os trabalhadores acabem virando autônomos para que o setor lucre cada vez mais”, alerta o diretor da Fetrafi-RS e membro do Comando Nacional dos Bancários, Juberlei Bacelo.

A queda do emprego no setor bancário se dá devido ao fechamento de agências. Para se ter uma ideia, em 2013 havia 22.918 agências bancárias no Brasil, contra 16.766 em 2023. Ou seja, nos últimos 10 anos foram fechadas 6.152, deixando milhares de bancários(as) e desempregados(as) ou realocados(as) em subempregos. Vale ressaltar que os bancos privados lideram com folga o ranking dos que mais fecharam agências, sendo responsável por 88% das agências que encerraram suas atividades nos últimos 5 anos (3,2 mil no total).

Esse quadro de demissões em massa e fechamento de agências reflete negativamente em quem utiliza os serviços dos bancos, uma população que só cresce. Sem agência, sem o caixa físico e sem o gerente para tirar dúvidas, o cliente é obrigado a resolver tudo através dos meios digitais. Acontece que boa parte não se sente apta do ponto de vista tecnológico, o que abre ainda mais brechas para golpes e calotes.

Na campanha salarial de 2024, um dos principais temas é a manutenção do emprego bancário, tão necessário para um bom atendimento à população. Até porque, com um lucro recorde em 2023 (R$ 144 bilhões), os bancos não precisariam demitir.

Jornalista/Fonte

Assessoria de Comunicação da Fetrafi-RS

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