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Encontro estadual dos trabalhadores do Bradesco debate reestruturação, adoecimento e campanha salarial

Entre os temas debatidos, destaque para a pressão por metas, o fechamento de agências, a digitalização dos serviços bancários, os impactos da inteligência artificial sobre o emprego, o combate ao adoecimento mental e o fim da escala 6×1.

Representantes sindicais, dirigentes e trabalhadores do Bradesco participaram, na noite de quarta-feira (20/05), do Encontro Estadual dos(as) Trabalhadores do Bradesco, para debater os impactos da reestruturação promovida pelo banco, o aumento do adoecimento na categoria e os desafios da próxima Campanha Nacional dos Bancários. A atividade foi coordenada pelo representante do RS na Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, Éverton Gimenis.

Entre os principais temas debatidos estiveram a pressão por metas, o fechamento de agências, a digitalização dos serviços bancários, os impactos da inteligência artificial sobre o emprego, o combate ao adoecimento mental e a defesa do fim da escala 6×1.

“Campanha salarial e disputa política caminham juntas” 

O secretário-executivo da CUT Nacional, Milton Rezende, abriu os debates abordando a conjuntura política nacional e os reflexos das eleições sobre os direitos dos trabalhadores. Segundo ele, o setor empresarial intensificou a pressão sobre o Congresso Nacional para impedir a redução da jornada de trabalho para 5×2.

Rezende criticou uma emenda assinada por parlamentares gaúchos que, segundo ele, abre caminho para jornadas de até 52 horas semanais. Para o dirigente, a defesa da redução da jornada integra uma estratégia mais ampla dos movimentos sindicais e populares para fortalecer pautas voltadas aos trabalhadores e ampliar o diálogo com a sociedade no contexto da disputa eleitoral. “Os movimentos populares retomaram capacidade de mobilização nos últimos meses, impulsionando temas como combate ao feminicídio, defesa da saúde pública, direitos trabalhistas e políticas para a juventude”, frisou.

O sindicalista falou sobre a importância das entidades sindicais estarem presentes e ativas nas redes sociais e alertou para os impactos da inteligência artificial e das novas tecnologias sobre o mundo do trabalho. Ao encerrar a participação, ressaltou que “campanha salarial e disputa política caminham juntas” e defendeu participação ativa dos sindicatos nas mobilizações sociais organizadas ao longo do ano.

Ampliar mobilização

O diretor de Comunicação da Fetrafi-RS, Juberlei Bacelo, reforçou a necessidade de ampliar a mobilização da categoria bancária diante dos desafios da próxima campanha salarial e do cenário político nacional. Segundo ele, “o país vive uma disputa entre projetos que defendem direitos trabalhistas e negociação coletiva e propostas voltadas à flexibilização das relações de trabalho e ao ajuste fiscal”.

Bacelo criticou a política de juros elevados, a autonomia do Banco Central e os impactos da reforma trabalhista de 2017 nas negociações coletivas. O dirigente também relacionou a campanha pelo fim da escala 6×1 à reivindicação dos bancários por uma jornada 4×3, argumentando que a redução da jornada é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Segundo Bacelo, temas como adoecimento, sobrecarga e condições de trabalho estão entre as principais demandas da categoria bancária.

Ao final da intervenção, reforçou o convite para a 28ª Conferência Estadual dos Bancários e das Bancárias, marcada para os dias 30 e 31 de maio, em Porto Alegre; e para a participação na Consulta Nacional, que ficará no ar até 31 de maio.

Metas e adoecimento

Em sua fala, Mauro Salles, diretor de Saúde da Contraf-CUT, alertou para o aumento da pressão sobre os bancários, marcada pela intensificação das cobranças por metas, mecanismos de controle e punições ligadas ao desempenho. Segundo os relatos apresentados no debate, programas de remuneração variável e sistemas de avaliação passaram a ter peso ainda maior na rotina da categoria, criando um ambiente de medo, insegurança e adoecimento.

Para ele, “a situação ultrapassa a pressão comercial e afeta diretamente a dignidade e a saúde emocional dos trabalhadores”. Diante desse cenário, Mauro Salles defendeu que o tema das metas, comissionamentos e programas internos esteja no centro das discussões da campanha, com fortalecimento da mobilização e da organização coletiva em defesa de melhores condições de trabalho e valorização dos bancários e das bancárias.

Bradesco no cenário econômico

Na análise econômica apresentada durante o encontro, o economista do Dieese e assessor da Fetrafi-RS, Alisson Droppa, destacou que o sistema financeiro brasileiro enfrentou fortes impactos entre 2019 e 2023, agravados pela pandemia e pela crise da Americanas S.A., que afetou diretamente o Bradesco. Segundo ele, o banco registrou queda de aproximadamente 51% no lucro no período. “A partir de 2024, o banco iniciou um processo de recuperação, consolidado em 2025 e mantido em 2026, com crescimento do lucro, da rentabilidade e das receitas”, ressaltou.

Apesar da melhora financeira, Droppa destacou que a recuperação foi acompanhada de forte reestruturação interna, fechamento de agências, digitalização dos serviços e redução de postos de trabalho. Apenas nos últimos cinco anos, o Bradesco teria eliminado cerca de 7,4 mil empregos, além de reduzir significativamente sua rede de atendimento, inclusive no Rio Grande do Sul. Segundo a análise apresentada, o setor bancário vive uma transformação estrutural marcada pela automação, uso de inteligência artificial e intensificação das cobranças sobre os trabalhadores bancários.

Campanha contra demissões é prioridade

Nas intervenções realizadas ao longo do encontro, o representante do RS na COE do Bradesco, Éverton Gimenis, defendeu o reforço da campanha nacional contra as demissões e a reestruturação promovida pelo banco. Segundo ele, o processo ainda não terminou e exige muita mobilização da categoria. E como reflexo desse quadro, o que se vê é uma piora no atendimento aos aposentados, excesso de filas nas agências e sobrecarga de trabalho para os que ficaram no emprego.

Gimenis alertou para a falta de reposição de pessoal, o aumento da pressão sobre os trabalhadores e os impactos da queda nos lucros sobre o emprego e as condições de trabalho. “Os problemas de saúde mental entre os bancários têm aumentado com a pressão e as metas abusivas. Precisamos de ações permanentes de acolhimento, prevenção e acompanhamento da categoria”, ressaltou.

O encontro também reuniu relatos sobre dificuldades enfrentadas por trabalhadores afastados pelo INSS no acesso a atendimento psicológico e psiquiátrico, em razão da precarização da rede credenciada dos planos de saúde; e dificuldades de acesso ao benefício TotalPass por trabalhadores do interior do estado, devido à baixa oferta de academias credenciadas em cidades menores.

Além disso, dirigentes sindicais denunciaram aumento da pressão por metas, assédio, jornadas excessivas e falta de controle de ponto para gerentes em meio à digitalização do atendimento bancário. Também foram relatadas dificuldades de acesso ao benefício TotalPass por trabalhadores do interior do estado, devido à baixa oferta de academias credenciadas em cidades menores.

Propostas tiradas do Encontro:

* Criação de formulário para solicitação de transferência de agência em casos de adoecimento, discriminação ou reintegração após decisões judiciais e administrativas;

* Garantia de que bancários adoecidos não retornem ao mesmo ambiente de trabalho que provocou pressão, assédio ou desgaste emocional, evitando agravamento da saúde e novos afastamentos;

* Ampliação da proteção às bancárias após a licença-maternidade, com garantia de retorno à mesma função — ou equivalente — sem perda salarial;

* Ampliação do período de estabilidade para bancárias após retorno da licença-maternidade, de dois para seis meses;

* Criação de mecanismos mais rápidos para ressarcimento de despesas médicas em casos de doenças ocupacionais;

* Intensificar a mobilização contra o fechamento de agências e de postos de trabalho.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Fetrafi-RS

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