O setor de fundos de investimento encerrou o primeiro trimestre do ano com captação líquida (aplicações menos resgates) recorde para o período. Nos primeiros três meses de 2011, essas aplicações atraíram nada menos do que R$ 42,470 bilhões, 85% mais que os R$ 22,992 bilhões do mesmo período do ano passado. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
O pagamento de impostos municipais e estaduais no início do ano favoreceu, e bastante, o setor. As carteiras chamadas de poder público – destinadas a receber recursos somente desse segmento – foram responsáveis por algo entre 40% e 50% dos R$ 42,470 bilhões que ingressaram no trimestre. Essas carteiras estão dispersas em várias categorias, mas a maior parte se concentra na renda fixa e nas aplicações de curto prazo.
Não por acaso, os fundos de renda fixa puxaram a captação do setor. A categoria – que engloba carteiras que podem aplicar em papéis prefixados – registrou entradas de R$ 39,890 bilhões no ano, dos quais R$ 7,695 bilhões apenas no mês de março. Em seguida ficaram os fundos curto prazo – que aplicam somente em papéis com prazo de vencimento em até 365 dias. Essas carteiras atraíram R$ 11,951 bilhões no trimestre, apesar dos resgates de R$ 73,06 milhões.
A forte captação em fundos voltados a Estados e municípios é efeito do próprio crescimento da economia, que faz com que a arrecadação cresça, lembra Carlos Massaru Takahashi, diretor-presidente da BB DTVM. "Com o setor de serviços e comércio andando mais, há mais impostos", diz. Além disso, na opinião dele, o ingresso de recursos mostra a profissionalização da gestão nas principais secretarias do país, trazendo um fluxo de caixa com regularidade maior.
Na avaliação de Takahashi, o mercado deverá continuar bastante volátil, o que deve seguir favorecendo a procura dos investidores pelas carteiras de renda fixa, e mesmo curto prazo. "Já o patrimônio dos fundos de renda variável e multimercados deve continuar oscilando."
Os números mostram que justamente os multimercados lideraram os resgates no trimestre, com saída líquida de R$ 20,142 bilhões, embora, em março, tenham captado R$ 2,200 bilhões. Vale lembrar, entretanto, que esses dados estão influenciados, segundo a Anbima, pela migração de um multimercado para a categoria renda fixa no valor aproximado de R$ 28 bilhões, em fevereiro. Já as carteiras de ações perdem no ano R$ 1,577 bilhão, mesmo após a captação de R$ 1,016 bilhão em março.
Os fundos DI, por sua vez, terminaram o trimestre com ingresso líquido de R$ 3,383 bilhões. O resultado foi positivo por conta da entrada de R$ 4,267 bilhões na categoria somente em março.
Em rentabilidade, alguns fundos de ações conseguiram retornos bem acima do Índice Bovespa em março. Segundo a Anbima, os fundos de dividendos renderam, em média, 4,31%, enquanto o Ibovespa teve alta de 1,79%. No ano, essas carteiras ganham 2,14% para uma queda de 1,04% do indicador. Os fundos "small caps", compostos por ações de menor liquidez, tiveram retorno médio de 3,55% em março, mas ainda registram perdas de 3,66% no ano.
Em março, todas as categorias de multimercados tiveram, em média, ganhos acima da variação de 0,92% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI, o juro interbancário que serve de referencial para as aplicações mais conservadoras). No ano, entretanto, a situação é diferente. Os multimercados macro – que definem as estratégias de investimento baseados em cenários macroeconômicos de médio e longo prazos – rendem 2,60%, em média, para 2,64% do CDI. Já os multimercados multigestor, que aplicam em mais de um fundo de gestores distintos, renderam 2,29% em média.
Valor Online