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O FURACÃO MENDES SAI DE CENA

Com saída prevista há pelo menos dois meses, o coronel Paulo Roberto Mendes, 52 anos, deixou ontem o comando-geral da Brigada Militar para assumir uma cadeira de juiz no Tribunal de Justiça Militar do Estado (TJM), encerrando um ciclo na segurança pública que ficará marcado pelo seu estilo pessoal.

Dono de um estilo diferente de todos os últimos comandantes da história recente da BM, Mendes mudou a estratégia de combate ao crime ao trocar traje social e sapatos lustrados por coturnos e farda operacional e andar nas ruas ao lado de soldados.

Desde que foi guindado ao subcomando, em janeiro de 2007, Mendes fez das barreiras a principal arma de repressão da BM. E onde tinha uma blitz, fosse dia, noite ou madrugada, lá estava o coronel, repetindo o seu bordão preferido: "O crime anda sobre rodas".

Em outra frente, comprou uma briga indigesta com movimentos sociais. Avesso a negociações, tornou-se inimigo número 1 de sem-terra e sindicalistas, ao dissolver manifestações que terminaram em confrontos.

– Prendemos mais de 130 mil pessoas este ano, apreendemos 8 mil armas, o Presídio Central bate recorde de detentos. Também acabei com a pirataria, a baderna e a indústria da invasão no Estado – enfatizou Mendes ao se despedir.

Por conta de sua exposição pública, provocou desconforto em seus dois ex-superiores (coronéis Edson Ferreira Alves e Nilson Bueno), criando no imaginário popular a idéia de que Mendes era o comandante-geral, cargo que assumiu, de fato, em junho.

Ontem, depois de 169 dias à frente da BM, Mendes, chegou ao quartel-general, como de hábito, às 7h30min. Mas, diferentemente de todos os últimos 23 meses em que fez parte da cúpula da corporação, encerrou o expediente ainda pela manhã, sem percorrer ruas e ou assinar documentos.

-Não sou mais comandante. Rei morto, rei posto – brincou com jornalistas que o esperavam do lado de fora de seu gabinete.

Mendes recolheu papéis das gavetas, tirou um quadro de medalhas da parede e três jogos de fardas do closet. Colocou tudo em uma caixa de papelão e mandou um assistente levar para o carro.

O coronel não escondeu o abatimento pelo vazamento da informação de que, em abril, tinha pedido ajuda para ser nomeado comandante-geral a Francisco Fraga, secretário-geral de Governo de Canoas, um dos investigados da Polícia Federal (PF) por desvio de verbas públicas na Grande Porto Alegre. Fraga tinha os telefones monitorados pela PF, e conversas dele com Mendes foram grampeadas.

– Não tenho na memória esse diálogo, Mas foram centenas, milhares de ligações telefônicas para muita gente. Trabalhei cinco anos em Canoas. A prefeitura ajudou muito a BM, reformando prédios, salas. Sempre tive vários contatos profissionais, com o prefeito Ronchetti (Marcos Ronchetti), com o Chico e com outros secretários. Quando saí de lá, continuei esse relacionamento profissional. Converso até com os bandidos na rua. Por que não posso conversar com uma pessoa que só tem uma denúncia? Aliás, ele segue como secretário do município, o prefeito não o exonerou – lamentou o coronel.

Mendes disse ter saído feliz do comando-geral, afirmou não ver ilegalidade na conversa e tampouco que possa lhe prejudicar a carreira no TJM.

– Houve alguma irregularidade? Qual? Vão me prender? – questionou.

À tarde, o coronel foi ao TJM, onde recebeu cumprimentos dos funcionários. Lá terá status de desembargador e salário dobrado, cerca de R$ 20 mil mensais.

Uma Corte polêmica
> A Corte militar para a qual acaba de ser nomeado o coronel Paulo Roberto Mendes é alvo de suspeitas de irregularidades investigadas no âmbito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
> O Tribunal de Justiça Militar (TJM) julga crimes militares cometidos por servidores militares, exceto homicídios dolosos contra civis.
> As suspeitas foram levantadas pelo promotor João Barcelos de Souza Júnior, da 2ª Auditoria Militar, em Porto Alegre. Ele enviou ao CNJ, em Brasília, documentos sobre supostas irregularidades administrativas e penais, incluindo prática de nepotismo.
> O promotor classificou a Corte de "tribunal dos absurdos jurídicos" e defendeu a criação de uma CPI para investigar os problemas.
> Na terça-feira e na quarta-feira passadas, os juízes auxiliares José Paulo Baltazar, Ricardo Cunha Cimentai e Salive Monteiro, integrantes da comissão do Conselho Nacional de Justiça, fizeram uma inspeção no TJM.

Fonte: Zero Hora

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