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O papel do sindicato na proteção dos trabalhadores das fintechs

Embora empresas não sejam reconhecidas como bancos, casos WillBank e Pleno podem abrir precedentes para o segmento

Esta é a décima segunda reportagem da série Por Dentro do Sistema Financeiro, uma parceria entre o Jornal GGN e a Contraf-CUT que busca analisar por dentro do Sistema Financeiro Nacional

O cenário financeiro digital brasileiro vive o que especialistas chamam de “ressaca regulatória”: após a expansão vista durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central — que viu o registro de mais de 1.500 novas fintechs a partir de 2023 —, a autoridade monetária, agora sob a condução de Gabriel Galípolo, iniciou um processo rigoroso de saneamento do sistema.

O que se vê hoje é o estouro de uma bolha de desregulação que, embora vendida como inovação, caminha sobre um “passivo social” alarmante. A tese central desta crise é a de que a inovação, quando atropela a supervisão, transfere o risco do capital diretamente para o colo do trabalhador.

“Nossa primeira reclamação é que (as fintechs precisam) cumprir normas, ter fiscalização rígida, ponto físico de atendimento, e os trabalhadores serem do ramo financeiro representado por suas entidades de classe”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, em entrevista exclusiva.

“As empresas de pagamento, startups financeiras, não podem ser um lugar para desvirtuar o papel do banco, do bancário e deixar o sistema em risco. Fomos contra o aumento sem controle das fintechs, denunciamos durante a CPI das fraudes digitais que existe uma série de modalidades de crimes cibernéticos que o BC não dá conta, e não tivemos sucesso”.

No caso envolvendo a liquidação do conglomerado Master – que além do Banco Master inclui Will Bank e Banco Pleno – o mercado financeiro debruçou-se sobre a recuperação de ativos investidos, mas foi o sindicato dos bancários que se posicionou contra a precarização e o abandono dos profissionais afetados.

Raio-X das Liquidações

A teia societária revela conexões profundas: o Will Bank operava como o braço digital do Banco Master, sob o comando de Daniel Vorcaro. Já o Banco Pleno — que carrega o DNA do antigo Indusval, fundado em 1967, e passou pela marca Voiter — era controlado por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.

O colapso do Pleno ocorreu em meio a um cenário policial: Augusto Lima foi preso na Operação Compliance Zero em novembro de 2025, em um indicativo de que a deterioração de liquidez andava de mãos dadas com graves problemas de conformidade.

O efeito cascata nessas instituições expõe não apenas falhas de gestão, mas um rombo financeiro bilionário. No caso do Banco Master, essa perda está estimada em R$40 bilhões, além do efeito a ser sentido pelos funcionários do grupo, como é possível estimar na tabela abaixo.

 

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