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ONU REAFIRMA POSIÇÃO CONTRA REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL NO BRASIL

                                          Aumentar o encarceramento não vai reduzir a violência "" 


A ONU reafirmou ontem (29) posição contrária à proposta de redução da idade penal de 18 para 16 anos, que deve ser votada hoje na Câmara dos Deputados, por meio da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171, de 1993. "Se as infrações cometidas por adolescentes e jovens forem tratadas exclusivamente como uma questão de segurança pública e não como um indicador de restrição de acesso a direitos fundamentais, o problema da violência no Brasil poderá ser agravado, com graves consequências no presente e futuro”, explica a entidade em nota publicada em seu site.


A entidade defendeu que o desenvolvimento de políticas públicas relacionadas ao Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo e de desenvolvimento humano e social para crianças e adolescentes poderia ser muito mais efetiva ao responder às preocupações da população em questões de segurança pública, "resultando em benefícios para toda a sociedade”. "A violência, em sendo um fenômeno de múltiplas causas, demanda, para sua solução, a adoção de políticas públicas de segurança cidadã com abordagem integral”, continuou a nota.

Retomando estatísticas sobre a realidade social, educacional e econômica dos adolescentes em conflito coma lei, a ONU ressaltou que a redução da maioridade penal contraria os preceitos para o fortalecimento das trajetórias de adolescentes e jovens, "representando um retrocesso aos direitos humanos, à justiça social e ao desenvolvimento socioeconômico do país”. A Nações Unidas já havia se posicionado contra a redução da maioridade penal em 11 de maio deste ano.

Para a entidade aumentar o encarceramento não vai resolver o problema da violência. "A violência, em sendo um fenômeno de múltiplas causas, demanda, para sua solução, a adoção de políticas públicas de segurança cidadã com abordagem integral", destacou.

Estudos recentes do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), indicam que a maior parte dos adolescentes cumprindo medidas de internação apresentavam baixa escolaridade, abandono escolar, grave situação de pobreza, entre outras características que indicam contextos de vulnerabilidade social e/ou de violação de direitos.

Além disso, a carta da ONU destaca que entre o total de adolescentes brasileiros entre 12 e 18 anos, 38% "viviam em situação de pobreza”. "No campo educacional, 1,6 milhão de adolescentes entre 15 e 17 anos estavam fora da escola em 2013 e, neste período, apenas 54% conseguiram concluir o ensino médio até os 19 anos”, segue o documento, que destaca ainda a dificuldade dos jovens em encontrar trabalho e os baixos salários pagos a eles.

"Quando o Estado provê meios, condições e oportunidades para que adolescentes e jovens acessem seus direitos, diminui a vulnerabilidade social vivenciada por eles/elas, suas famílias e comunidades, reduzindo drasticamente os riscos de infração. Possibilita a quebra dos ciclos intergeracionais de violência e pobreza e a redução das situações de violência e negligência social que podem estar relacionadas ao ato infracional”, diz a nota.

Também é lembrado que, apesar de serem tidos como os principais responsáveis pela violência e os crimes graves no país, adolescentes são mais vítimas do que autores. Dados oficiais mostram que, dos 21 milhões de adolescentes que vivem no Brasil, 0,013% cometeu atos contra a vida, ao passo que os homicídios são a causa de 36,5% das mortes de adolescentes.

 

 

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