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PREVI PODE PARTICIPAR DE CONCESSÃO DE INFRAESTRUTURA

 

Fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil diz que sua atuação se dará por meio da Invepar, parceria com Petros, Funcef e OAS

 

O maior fundo de pensão do país, a Previ, decidiu, até o momento, que poderá participar das concessões de infraestrutura promovidas pelo governo por meio da Invepar, empresa na qual é sócia com os fundos de pensão Petros e Funcef e a construtora OAS.

A participação direta da Previ nesses investimentos ainda não foi decidida, informou na terça-feira o diretor de investimentos do fundo de pensão, Renê Sanda. "Estamos analisando, não temos nenhuma decisão sobre isso ainda", afirmou Sanda, que participou do 34º Congresso da Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp).

Os fundos de pensão Funcef (Caixa Econômica Federal) e Petros (Petrobras) se comprometeram a apoiar os consórcios vencedores dos próximos leilões de concessões de rodovias e ferrovias do governo federal, que já começam na semana que vem.

Ao lado da Caixa, do Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os dois fundos de pensão constituirão o chamado "fundo noiva", que poderá aportar até R$ 12 bilhões nos consórcios que ganharem as concessões. No dia 18, está previsto o leilão de rodovias que lança o novo programa de concessões do governo Dilma Rousseff.

Durante o congresso da Abrapp, José Maria Rabelo, presidente da Previc – autarquia vinculada ao Ministério da Previdência que supervisiona os fundos de pensão -, disse que a participação das entidades de previdência fechada em concessões de infraestrutura é uma oportunidade. Rabelo descartou haver qualquer "risco inadequado" nesse tipo de investimento.

"É extremamente natural que os fundos de pensão sejam investidores institucionais por excelência. Quando um país tem um gap muito grande em infraestrutura, é natural que isso gere oportunidade de investimento para os fundos de pensão", afirmou o presidente da Previc. Para ele, o tempo de maturação maior dos projetos do setor tem "perfeita adequação" com a estratégia de aplicações dos fundos de pensão. Ele, no entanto, disse que as decisões de investimento cabem aos gestores, que devem avaliar os riscos e limites legais. "O papel da Previc é acompanhar como as decisões estão sendo tomadas", completou.

Investimentos em concessões podem melhorar rating do país

Para a agência de classificação de risco Standard & Poors, o setor da infraestrutura é de fundamental importância para o país. Ao participar do congresso da Abrapp, a presidente da agência para o Brasil, Regina Nunes, disse que o sucesso do governo nessas concessões de rodovias e ferrovias é "um fator importantíssimo nos próximos anos" para a manutenção do rating e até para a reversão da perspectiva negativa que o Brasil recebeu em junho da agência, quando sua classificação BBB foi mantida.

Segundo Regina Nunes, mais infraestrutura significa mais geração de investimentos e inflação menor, uma vez que grande parte da inflação tem origem na falta de infraestrutura. "O que está limitando realmente o rating no Brasil é o menor crescimento por causa de menores investimentos, com inflação alta. E é preciso investimentos para diminuir o potencial de crescimento da inflação. O país vai conseguir maior crescimento e maior investimento se acelerar as suas concessões, mas precisa incentivar o investimento, que tem sido razoavelmente difícil", afirmou a executiva da agência classificadora de risco.

Novo fundo para aplicações no mercado internacional deve ser lançado na semana que vem

Os investimentos em ações de empresas no exterior por parte de um grupo de fundos de pensão deve ser lançado na próxima semana, segundo previu o gerente executivo da Previ Antônio Luiz Benevides, durante apresentação no 34º Congresso da Abrapp (Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar). "Na semana que vem, devemos colocar esse investimento em pé", afirmou o executivo.

Inicialmente, o grupo de fundos de pensão aplicará entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões. A Previ deve aportar até o fim deste ano até R$ 340 milhões no fundo de ações no exterior criado em parceria com outras entidades fechadas de previdência.

Benevides descarta, no entanto, que a iniciativa de investir fora do país altere a estratégia de aplicações da Previ. "O nosso foco é o Brasil e vai continuar a ser. A infraestrutura é parte importante com toda a certeza", disse o executivo. A Previ, maior fundo de pensão do país, tem R$ 160 bilhões em aplicações diversas no mercado nacional. A participação em fundos no exterior corresponderá a uma parcela muito pequena do total de seu patrimônio. "O investimento aqui é prioritário e tem que ser, é impossível imaginar de forma diferente", reforçou.

O grupo que investirá no exterior inclui Petros, Funcef e entidades menores, como a Fundação Cesp e a Fundação Itaú. Quatro gestores das aplicações no exterior já foram escolhidos. No Brasil, a BB DTVM foi selecionada como gestor local. O fundo vai investir em ações de empresas, com foco nos setores de TI, químico, saúde e consumo.

Paulo de Sá Pereira, gerente executivo de renda variável da Fundação Cesp, que também participava do painel no congresso da Abrapp, acrescentou que a mudança na atual legislação poderia estimular mais os investimentos fora do país, e não somente em ações, como em renda fixa e em ações de empresas sem ações listadas em bolsa de valores. A legislação brasileira prevê um limite de 25% do patrimônio dos fundos de pensão em aplicações no exterior.


Brasil Econômico

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