Há vários anos o SindBancários denuncia à sociedade a falta de segurança nas agências bancárias. Com a constante preocupação de garantir segurança aos trabalhadores, clientes dos bancos e também aos vigilantes, o Sindicato registra diariamente o número dos ataques a instituições financeiras em todo o Estado. Somente em março de 2014 ocorreram 13 ataques a agências bancárias, sendo quase uma ocorrência a cada dois dias. Cabe destacar, que o Sindicato considera apenas os casos noticiados por jornais na Internet e em suas versões impressas.
O movimento sindical pressiona os bancos pela melhoria dos equipamentos e planos de segurança, mas muitas agências são fechadas devido à ação de bandidos. A Caixa da Volta do Guerino é um exemplo concreto de estresse pós-traumático. Após um funcionário da unidade ter sido sequestrado juntamente com sua família, seus colegas ficaram tão abalados que não foi possível manter o expediente da agência.
Para o diretor de Comunicação do SindBancários, Everton Gimenis, a segurança bancária precisa avançar mais para fazer frente às estratégias dos assaltantes. "Muito da responsabilidade por estes frequentes surtos de ataques a bancos está relacionada à falta de investimento dos bancos em equipamentos de segurança. Os banqueiros pensam que é preciso defender o patrimônio e não a vida dos clientes e dos bancários. Também há dificuldade de prever as estratégias dos assaltantes e o poder público precisa fiscalizar as ações", diz Gimenis.
Os bancos têm sido alvo de multas e de ações do Sindicato. O SindBancários tem realizado atos públicos e trabalhado em várias frentes contra os ataques a bancos. Apenas em 2013, a pressão do movimento sindical levou a Polícia Federal a multar as instituições financeiras em R$ 24,3 milhões, por descumprimento da lei federal 7.102/83. “Como se não bastasse a falta de vigilantes nas agências, muitos equipamentos como alarmes e portas giratórias estão inoperantes. A cada ano, os levantamentos estatísticos mostram que os crimes aumentam”, avalia o dirigente sindical.
Segundo estudo do Dieese e da Contraf/CUT, o RS subiu uma posição do ranking nacional de violência bancária em 2013. Passou do sexto lugar com 160 casos registrados, para a quinta colocação, com 196 ocorrências. Os números cresceram 22,5%, entre os 27 estados do país, incluindo o Distrito Federal.
Somente na primeira semana de abril, já foram registrados quatro ataques a bancos. Além do Sindicato, dados sobre segurança bancária também são coletados e analisados pela Contraf-CUT. Segundo pesquisa da Confederação, em 2013 foram registrados três mil ataques a bancos, um crescimento de 16,36% em relação ao ano anterior.
Mauro Salles, presidente do SindBancários, destaca a colocação do Rio Grande do Sul no ranking de ataques a bancos . “É inadmissível que os quatro maiores bancos do país tenham um lucro de R$ 49,5 bilhões e destinem somente R$ 2,5 bilhões em despesas com segurança e vigilância. Frequentemente, visitamos as agências para cobrar dos seus gestores mais investimento em segurança. A segurança é uma pauta frequente em nossas campanhas salariais. Vamos continuar a nossa luta para as autoridades públicas que fiscalizem o cumprimento das leis e para que o sistema financeiro cumpra a legislação”, salienta o presidente do SindBancários.
O diretor do SindBancários e integrante do Coletivo Nacional de Segurança Bancária da Contraf-CUT, Lúcio Paz, enfatiza a importância de levar o debate aos municípios. "O SindBancários tem participado de debates que estruturam novas leis como a dos biombos, da colocação de portas giratórias nas agências e procura estender a legislação para outros municípios. Em Porto Alegre, por exemplo, debatemos a necessidade de os guarda-volumes serem obrigatórios para trazerem maior comodidade aos usuários dos bancos. O mesmo debate está sendo feito também na cidade de Igrejinha, no Vale do Paranhana, que teve audiência na Câmara de Vereadores, no dia19 de março. Os projetos legislativos municipais são fundamentais para obrigar os bancos a investirem em novos itens de segurança e a proposta busca trazer mais segurança de clientes, usuários e trabalhadores”.
*SindBancários