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CORREIOS VÃO ABRIR DISPUTA BILIONÁRIA POR BANCO POSTAL

Dez anos depois, os Correios vão abrir uma licitação que pode substituir o Bradesco como o operador do Banco Postal, numa concorrência de, ao menos, R$ 1,75 bilhão.

Desde 2001, o Bradesco explora com exclusividade o serviço de correspondente bancário oferecido nas agências da estatal pelo país.
Nesse período, o Bradesco abriu mais de 10 milhões de contas a partir dos postos dos Correios. Somente com a tarifa de manutenção de conta desses correntistas, o faturamento do banco supera R$ 845 milhões por ano, fora outros serviços, como saques, consulta a extrato e operações de empréstimo.

Da receita total apurada pelo Bradesco, os Correios ficaram com R$ 350 milhões em 2010.

O presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, disse à Folha que o Bradesco terá que disputar como todos os demais interessados e que o valor da licitação será de, pelo menos, o faturamento do ano passado multiplicado por cinco -o novo contrato terá duração de cinco anos renovável por mais cinco.

"Nas tarifas atuais, no ano passado arrecadamos R$ 350 milhões. Nós estamos revendo quanto nós vamos querer de tarifa, quanto para cada produto", afirmou Pinheiro.

Procurado, o Bradesco informou que "não comenta informações sobre o Banco Postal". A instituição também não informou quanto lucra com a atividade.

O contrato com o Bradesco se encerra em dezembro. Na sexta-feira, os Correios divulgaram a minuta do edital. No próximo dia 25, farão uma audiência pública para receber críticas e sugestões.

Segundo Pinheiro, a licitação deverá estar concluída até julho. Assim, o vencedor pode iniciar as operações em janeiro de 2012.
De acordo com a minuta, só podem participar instituições financeiras com ativos totais superiores a R$ 21,6 bilhões e patrimônio líquido acima de R$ 2,16 bilhões.

Segundo levantamento feito pela consultoria Economática, pelo menos outros três bancos além do Bradesco atendem a esses quesitos: Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Santander.

Ao longo dos últimos anos, o Bradesco foi mudando o foco do Banco Postal, em busca de transações mais rentáveis, reduzindo operações de microcrédito.

O contrato com o Bradesco também foi alvo da CPI dos Correios e da CGU (Controladoria-Geral da União). Nos dois casos, foi apontado favorecimento irregular ao banco privado.
Meses depois da licitação, o governo autorizou o Bradesco a se instalar nas agências terceirizadas, localizadas em grandes cidades e capitais, mais lucrativas.

O contrato original previa que o serviço só seria oferecido nas agências próprias dos Correios, grande parte no interior do país.

Folha de São Paulo

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