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AMEAÇA DA POUPANÇA FARÁ BANCO CORTAR TAXAS

Devido a uma possível migração para poupança e outros tipos de investimentos de renda variável, além de pressão por queda nas taxas de administração de fundos de investimento de renda fixa, as instituições financeiras podem ter seus resultados com receita de serviços afetados. Além disso, a queda nas taxas de administração do Banco do Brasil, aliada ao nível histórico mais baixo da Selic, pode aumentar pressão por cobranças menores nas instituições privadas.

Para o economista da Lopes Filho e Associados, João Augusto Frota Salles, a tendência é que haja uma migração forte para a poupança. "Haverá mais investimentos na poupança e as taxas de administração de fundos irão cair, não há como ser diferente". O rendimento da poupança, argumenta ele, de 6% anual, mais TR, e sem encargos, chama a atenção em um ambiente de Selic a 8,75%.

O professor de finanças da Brazilian Business School (BBS), Ricardo Torres, segue a mesma linha. "Na renda fixa, os bancos devem perder recursos e buscar alternativas para captar mais, e a taxa de administração é um forte concorrente da poupança". Nos fundos de renda variável, pondera, há outros tipos de risco envolvidos, por isso as perdas não devem ser tão grandes.

Para Salles, há dois movimentos do governo que poderiam frear essa migração. "A primeira, é uma alta na Selic, o que não deve ocorrer no curto prazo. A outra é passar a taxar a poupança, em que há alguma discussão, porém ainda nenhuma sinalização do governo", afirma. Além disso, completa, uma cobrança na poupança significaria uma perda de funding no Certificado de Depósito Bancário (CDB) para os bancos pequenos e médios.

Os analistas concordam que o recente anúncio do BB de que iria diminuir suas taxas de administração colocam mais pressão sobre os bancos. A instituição pública reduziu as taxas de administração de cinco fundos de investimento e o valor de aplicação mínima de outros 17.

Algumas instituições privadas, como o Itaú Unibanco, Bradesco e HSBC, também reduziram o mínimo de entrada, porém sem mexer nas taxas.

"O BB tem um peso muito grande no sistema financeiro, por isso, os pares tendem a segui-lo. A questão é qual será a magnitude desse acompanhamento", diz Frota Salles.
Para Torres, da BBS, as cobranças estavam em um patamar abusivo, porém escondidas pela taxa básica de juros. "Com a queda da Selic, ficaram expostas", afirma. Aliado à pressão da redução promovida pelo BB, diz, os outros bancos se verão forçados a também promover cortes.

Além disso, todos esses movimentos aliados, podem provocar uma queda na receita com serviços das instituições.

"Desde que o governo padronizou as cobranças com taxas de serviços, junto com um aumento da concorrência, as instituições tiveram um crescimento menor nessa linha. As taxas de administração representam cerca de 20% dos ganhos com serviços de um grande banco e, com uma queda, essas receitas ficarão mais pressionadas", diz Salles.

Para Torres, os resultados das instituições devem sofrer com uma baixa nas cobranças.
"Essa é uma indústria bastante grande, que corresponde a uma boa parte dessas receitas. Um corte irá afetar bastante aos bancos", diz. o acadêmico.

A queda nas taxas poderia diminuir o ritmo de saída de recursos dos fundos DI, que acumulam captação negativa de R$ 7,363 bilhões no acumulado deste ano, segundo dados da Anbid.

As taxas de juros nos níveis mais baixos da história já começam a afetar dois dos produtos mais importantes para os bancos: os fundos de investimento e a previdência privada.
Segundo especialistas, com o juro em queda, a poupança ganha força, e as instituições são obrigadas a baixar suas taxas de administração, a exemplo do que fez o Banco do Brasil na semana passada. Esse quadro vai afetar diretamente os resultados financeiros dos bancos. O BB baixou as taxas em cinco fundos, e também o limite mínimo de aplicação em outros 17.
Enquanto isso, a poupança continua recebendo recursos dos investidores. A caderneta de poupança registrou depósitos líquidos (aplicações menos resgates) de R$ 4,5 bilhões em julho (até dia 21), período que corresponde aos primeiros 15 dias úteis do mês, segundo o Banco Central (BC). Nesse mesmo intervalo de dias no mês passado, a captação da poupança foi de R$ 49 milhões.

Para o economista da Lopes Filho e Associados, João Augusto Frota Salles, a tendência é que haja uma migração forte para a poupança. "Haverá mais investimentos na poupança e as taxas de administração de fundos irão cair, não há como ser diferente". O rendimento da poupança, argumenta ele, de 6% anual, mais TR, e sem encargos, chama a atenção em um ambiente de Selic a 8,75%.

Outra mudança em curso acontece nos planos de previdência privada oferecidos por bancos e seguradoras. Um tipo de plano chamado Ciclo de Vida, que nos Estados Unidos registra reservas totais de US$ 120 bilhões, deve crescer no Brasil com a queda da Selic. O produto oferece uma gestão automática dos recursos depositados, com perfil mais agressivo no início do plano, que vai gradualmente migrando para aplicações conservadoras.

Atualmente, apenas três companhias oferecem esse tipo de fundo: Icatu Hartford, Banco do Brasil e, mais recentemente, Itaú Unibanco. "Lançamos esse produto por acreditarmos que ele será bem sucedido em um cenário de taxa de juros mais baixa", afirmou Osvaldo do Nascimento, diretor executivo responsável por produtos de investimentos e previdência do Itaú Unibanco.

Fonte: DCI

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