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IDENTIFICAR MAUS HÁBITOS FINANCEIROS AJUDA A EVITAR DESPERDÍCIOS

O relacionamento antigo com o gerente, o pacote de TV a cabo a que você está acostumado, o cigarro para alimentar o vício antigo e até aquele bolo de chocolate que parece irresistível depois do almoço podem estar atrapalhando sua vida financeira.

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Na ponta do lápis, todo o gasto conta, mesmo um cafezinho. Segundo especialistas ouvidos pelo G1, a multiplicação dos pequenos gastos e o prejuízo com os maus hábitos nas despesas da casa podem fazer uma grande diferença no longo prazo. "É possível fumar o valor de uma pequena casa ao longo de dez anos", diz o economista Alexandre Lignos, da consultoria IGF.

Um doce de R$ 2, todos os dias, representa um gasto de R$ 60 no fim do mês. "Dependendo do salário que se ganha, esses gastos podem fazer a diferença. Se você tem compulsão por doce ou café quando sai do trabalho, tente evitar a tentação. Atravesse a rua, não passe em frente à cafeteria", recomenda Lignos.

Para o especialista em finanças pessoais Conrado Navarro, autor do livro "Vamos falar de dinheiro?", existem quatro grandes "ralos" de desperdício de dinheiro: o funcionamento da casa (energia elétrica, água, gás); meios de pagamento e bancos (cartões de crédito, cheque especial, tarifas); as chamadas "despesas variáveis" (lazer, viagens, alimentação fora de casa); e empréstimos a terceiros.

Faça o planejamento

Antes de sair correndo e cortar despesas em cada um dos itens, entretanto, o conselho dos economistas é que você pare e pense. E isso não se faz em uma noite. Para que o exercício funcione, é necessário pelo menos um mês de preparação.

"Se a pessoa não tem nenhum controle, é preciso fazer um apontamento de 30 dias, anotando tudo o que se gasta. Pode ser em uma planilha no computador ou em uma folha de papel. Mas tem que entrar tudo. O importante é que, no fim do mês, os gastos não superem os ganhos", explica Navarro.

"A planilha é uma ferramenta muito boa. Eu mesmo faço", diz Lignos. Para quem ainda está dando os primeiros passos na reorganização das próprias finanças, ele recomenda que a pessoa pense por cinco minutos todos os dias em sua vida financeira. "A planilha é um dos itens fundamentais. À medida que ela ficar mais detalhada, você percebe os meandros dos gastos", ressalta.

Conheça sua situação

A partir das anotações, será possível perceber em que setores estão os principais "gargalos" de dinheiro. O vilão pode estar tanto nas despesas fixas, como a conta de luz excessiva, quanto nos gastos "extras". Segundo Conrado Navarro, caso o item "diversos" consuma uma fatia maior do que 30% do orçamento, é a hora de acender a luz amarela.

"Muitas vezes muito dinheiro vai no dia-a-dia, e a pessoa não sabe. Por isso é preciso definir uma categoria clara para cada gasto", ressalta o consultor, que também é um dos fundadores do blog Dinheirama, que discute o uso consciente do dinheiro.

Economizar nas contas de casa, à medida que a economia brasileira se expande, começa a ficar mais fácil. Além das medidas de educação para o consumo (banhos mais curtos, desligar os aparelhos da tomada e apagar as luzes em cômodos vazios), o aumento da concorrência em diferentes setores permite que o consumidor simplesmente mude de fornecedor caso o custo-benefício não lhe satisfaça.

Esqueça a fidelidade

Isso vale para os mais diversos setores: conta bancária, operadora de TV a cabo, fornecedor de serviço de internet e telefone. "É bom prestar atenção às multas de contratos dos combos de serviço. Mas, no geral, se existe algum desconto, é bom mudar para um novo plano ou uma nova empresa. O dinheiro não precisa criar raiz", diz Navarro, autor de "Vamos falar de dinheiro?".

Outro "mito" criado no setor de serviços é a figura do "gerente amigo". "Gerente não é amigo de ninguém, é amigo do banco, que é o empregador dele", diz Alexandre Lignos. Por isso, o relacionamento com os produtos bancários deve seguir a recomendação válida para os outros: vale o melhor pacote pelo menor preço.

Se o cliente não conseguir negociar a isenção da tarifa de manutenção de conta bancária, a facilidade do extrato pela internet possibilita que a pessoa tenha um pacote básico de serviços. "É uma atitude inteligente", diz o economista.

Para Lignos, é melhor ter dinheiro sobrando em uma conta básica do que ficar devendo em uma com cheque especial. "É a diferença entre ter dinheiro e fingir que tem", ressalta Lignos. "E geralmente as pessoas percebem quem realmente tem dinheiro para gastar."

Porém, o consultor diz que é preciso tomar cuidado ao "limpar" os gastos fixos da casa. Os serviços devem ser adequados às necessidades dos moradores. "Se você está acostumado com uma internet rápida, vive no Orkut e traz trabalho para casa, colocar uma internet discada só vai causar estresse. Neste caso, é melhor escolher um plano econômico, mas dentro das opções de velocidade rápida."

De pai para filho

Educação financeira começa em casa e, na opinião do consultor Alexandre Lignos, os filhos costumam repetir os padrões de consumo dos pais. Portanto, a fórmula do sucesso (ou do fracasso) começa em casa. Por isso, os especialistas afirmam que o dinheiro precisa ser um assunto transparente na família.

De acordo com Navarro, a melhor forma é pôr as cartas na mesa: pai e mãe precisam deixar claro qual é a quantia razoável para que toda a família tenha suas necessidades atendidas durante um mês, levando em conta a renda disponível. "É bom (o chefe de família) mostrar os gastos, fazer com que a família participe disso", ressalta.

Lignos diz que, caso os pais não queiram revelar exatamente o quanto ganham para os filhos, uma saída é fazer reuniões, deixando claro que uma situação econômica confortável pode ser alterada a qualquer momento. "É bom dizer que existe um problema na empresa, que a economia está em crise e é preciso fazer caixa. É bom pedir ajuda, ser direto e sincero", diz o economista.

Para ele, as reuniões familiares são uma forma de pai e mãe mostrarem aos filhos que um consumo descontrolado no presente pode comprometer "a mensalidade da escola, a poupança da faculdade ou a bicicleta nova de amanhã".

Iniciando uma poupança

Conseguir fechar o mês sem consumir todo o orçamento é, segundo Conrado Navarro, o pontapé inicial para o início de uma poupança. "O mínimo a ser poupado por mês é de 10% da receita líquida, sendo 30% o ideal", diz o economista.

 

Com uma reserva de 30% todos os meses, o investidor pode colocar 10% em uma reserva de emergência, preferencialmente na poupança, que é um investimento descomplicado e sem taxa de administração; outros 10% em investimentos de médio prazo; e mais 10% para o longo prazo, em um fundo de ações ou em um plano de previdência, por exemplo.

Fonte: G1 

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