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Lucro do Banco do Brasil despenca 53,5% no 1º trimestre de 2026

Resultado é pressionado pela alta da inadimplência, aumento do custo do crédito e redução do quadro de funcionários, aponta análise do Dieese

A análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre o balanço do Banco do Brasil mostra uma forte queda no desempenho da instituição no início de 2026. No primeiro trimestre do ano, o lucro líquido ajustado do banco somou R$ 3,431 bilhões, retração de 53,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando o resultado havia alcançado R$ 7,374 bilhões. Na comparação com o trimestre anterior, a queda foi de 40,2%.

Segundo a coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Fernanda Lopes, o resultado reforça a necessidade de debate sobre a estratégia do banco e seus impactos sobre trabalhadores e clientes.

“Os números mostram que não é possível sustentar resultados apenas com cortes de custos e redução de estruturas. A diminuição do quadro de funcionários e o fechamento de unidades afetam o atendimento à população e aumentam a sobrecarga de trabalho. É fundamental discutir o papel do Banco do Brasil como instituição pública comprometida com o desenvolvimento do país e com condições dignas para seus trabalhadores”, afirma.

Uso de créditos tributários ameniza resultado

O banco utilizou créditos tributários nos três períodos comparados. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o valor chegou a R$ 2,1 bilhões. Sem esse recurso contábil, o lucro teria sido de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, evidenciando uma queda ainda mais acentuada.

O retorno sobre o patrimônio líquido (RPSL) ajustado anualizado recuou 9,4 pontos percentuais em 12 meses, ficando em 7,3%.

De acordo com o banco, o desempenho foi impactado principalmente por:

  • aumento de 85,8% no custo do crédito, que totalizou R$ 18,9 bilhões, ainda refletindo problemas de inadimplência na carteira do agronegócio;
  • redução das despesas de captação, associada a menores volumes de LCA e ao efeito calendário (três dias úteis a menos);
  • crescimento de 5,5% nas despesas administrativas, influenciado pelo reajuste salarial de 2025 e investimentos em tecnologia e cibersegurança.

Veja os destaques completos do Dieese

Crédito cresce, mas inadimplência preocupa

A carteira de crédito expandida do banco atingiu R$ 1,306 trilhão, com crescimento de 2,2% em 12 meses e 0,7% no trimestre.

  • Pessoa Física: R$ 361,8 bilhões (+7,8% em 12 meses);
  • Pessoa Jurídica: R$ 449,0 bilhões (-2,4%);
  • Agronegócio: R$ 418,4 bilhões (+3,0%).

No agronegócio, as operações vinculadas ao programa BB Regulariza Agro alcançaram R$ 37,9 bilhões, com expansão de 68% no trimestre.

As chamadas “perdas esperadas” — antigas provisões para créditos de liquidação duvidosa (PCLD) — cresceram 46,6% em 12 meses, somando R$ 16,8 bilhões. O índice de inadimplência superior a 90 dias chegou a 5,05%, alta de 1,42 ponto percentual em um ano.

Tarifas seguem cobrindo despesas com pessoal

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 5,5% em 12 meses, alcançando R$ 8,8 bilhões no período. Já as despesas com pessoal, incluindo o pagamento da PLR, ficaram próximas de R$ 7,2 bilhões, praticamente estáveis (-0,1%).

Com isso, as receitas secundárias do banco passaram a cobrir 122,75% das despesas de pessoal, aumento de 6,48 pontos percentuais em 12 meses.

Menos trabalhadores e menos agências

Mesmo com a ampliação da base de clientes — que cresceu em 1 milhão de pessoas e chegou a 83 milhões em março de 2026 —, o banco seguiu reduzindo sua estrutura.

Ao final do trimestre, o Banco do Brasil contava com 84.619 funcionários, após:

  • fechamento de 1.498 postos de trabalho em 12 meses (-1,7%);
  • redução de 587 empregos apenas no trimestre (-0,7%);
  • encerramento de 56 agências tradicionais e 113 postos de atendimento em um ano;
  • abertura de apenas uma agência digital e especializada.
  • Para o movimento sindical, os dados reforçam a preocupação com o impacto das reestruturações sobre o atendimento à sociedade e as condições de trabalho nas unidades do banco.

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