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PROFESSOR ANALISA EVOLUÇÃO DO MARXISMO NO MUNDO

 
Teorias de Marx incidem em diversas áreas do pensamento

O projeto Diálogos para Ação foi retomado na manhã desta sexta-feira, na Casa dos Bancários, com uma palestra sobre a ação e o pensamento dos marxistas, após a morte de Karl Marx. O evento reuniu dirigentes, delegados e delegadas sindicais de todo o Estado, que à tarde participam de reuniões específicas da Caixa, Banco do Brasil e Banrisul.

O Marxismo continua atual. A constatação está baseada na difusão das teorias da Karl Marx pelo mundo. Esta difusão foi possível graças à imensa capacidade de retorno que marcou o Marxismo ao longo dos tempos. "Na verdade, ele é um método de análise da realidade que desenvolveu visões de mundo, mas foi se transformando em um instrumento de ação política, orientando diversos movimentos", explica o professor e historiador, Paulo Vizentini, titular da UFRGS.
Segundo o professor, o Marxismo saiu dos livros para se tornar uma prática que vai criando regimes políticos e sociais. "Aos poucos foram surgindo governos, que usaram e usam o Marxismo como referência, cujo ponto de partida é a tentativa de adaptá-lo à determinada realidade histórica", enfatiza Vizentini.

No século XX o Marxismo se inseriu em diversas áreas do conhecimento. "Ele está muito mais disseminado do que pode parecer, chegando a ser articulador de uma prática teológica dentro da própria Igreja Católica, que é a teologia da libertação", observa o docente.

Na avaliação de Vizentini, o Marxismo resulta de um trabalho a quatro mãos, realizado por Marx e Engels. "Quando Marx morre, o mundo e a realidade na qual o Marxismo foi criado já estavam se alterando, mas Engels viveu um pouco mais. Podemos dizer que o marxismo passou a ter uma maior importância em 1891, quando ele foi assumido como ideologia oficial do Partido Social Democrata Alemão. Este partido constituía uma espécie de estado dentro do estado, pois tinha suas próprias escolas, colônias de férias e educava as pessoas de acordo com suas perspectivas políticas", explica.

O historiador destaca que a expansão do Marxismo gerou alguns problemas, entre eles o surgimento de uma elite operária. Com isso, na medida em que as reivindicações eram atendidas e a classe operária atingia condições de vida um pouco melhores, algumas bandeiras de luta foram se perdendo.

"Cada realidade prática traz a sua forma de pensamento específica. Então, as correntes vão trazer uma série de polêmicas e debates dentro o Marxismo, alegando que o mundo estava em processo de mudança. A primeira delas se chama imperialismo, que surge com a chegada do capitalismo na periferia", analisa.

Vizentini ressalta que o capitalismo tem fases e por isso não se apresenta igual em todas as partes do mundo, ao mesmo tempo. "Marx já havia advertido que esta expansão do capitalismo para a periferia iria gerar contradições mais elevadas, que são as contradições de classes".

De acordo com o professor, o Marxismo volta a aparecer como instrumento mais poderoso antes da primeira guerra mundial, quando a social democracia chega ao poder em alguns países da Europa. Ele também cita Lênin como um dos aplicadores da teoria marxista. "Lênin não foi um inovador do marxismo, mas é um aplicador e ele vai avançar na concepção de revolução", observa.

Vizentini diz que o Marxismo tem duas correntes. A primeira delas é a Esquerda, de caráter revolucionário, libertário, antiparlamentar e que teve entre seus expoentes Rosa de Luxemburgo e Trotsky. Já o Marxismo de Direita, previa mais a ideia de democracia e transição gradual ao socialismo.

"Nunca no ocidente se achou que uma revolução pudesse ser vitoriosa. A gente sabe que mentira em política é normal, mas o problema é quando o mentiroso começa a acreditar na sua própria mentira. Então houve um desprezo das elites governantes pelas teorias marxistas", afirma.

Entre os mecanismos de combate ao Marxismo, o docente cita o imperialismo e as tentativas de corromper a vanguarda socialista.

Para o professor, de certa forma, a revolução russa foi uma revolução internacional. A luta que se desenvolveu pelo poder envolveu a linha que a Rússia seguiria. "O marxismo insistiu muito na economia porque ninguém acreditava que esta não seria a base de um sistema social. Lamentavelmente, a política internacional tem contradições. Após a segunda guerra mundial, havia alguns países onde a esquerda poderia tomar o poder, só que nenhum destes países estava no campo soviético. Então, os ocidentais reprimiram a esquerda nestes países".

Vizentini observa que há diversos bons autores marxistas na atualidade, mas que por não atuarem politicamente vão invadir outras áreas como a cultura, para evitar problemas. "Nestes campos há um debate mais teórico e abstrato de marxistas. Aqui nas livrarias brasileiras esses livros estão meio escondidos, enquanto em outros países há estandes específicas sobre Marxismo", compara.

* Imprensa Fetrafi/RS

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