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SALÁRIOS PODEM E DEVEM CRESCER ACIMA DA PRODUTIVIDADE, APONTA DIEESE

Contrariando o discurso dominante, os salários podem sim crescer acima da produtividade. Essa foi a tese defendida pelo economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sérgio Mendonça, durante a análise de conjuntura que abriu no sábado (23) a plenária final do Congresso do Sindicato dos Bancários de Brasília, na sede da entidade.

Para o economista, é fundamental que os bancários incluam na sua agenda de discussão a questão do que chamou de disputa distributiva, já que "não há espaço para que o salário aumente se não subir a produtividade e se os lucros não forem distribuídos".

Conforme Sérgio, a massa salarial de 2010, por exemplo, que chegou a R$ 2,1 bilhões por mês, contribuiu para a melhoria da remuneração média, que voltou a crescer em 2008. Contudo, há um entrave. "Estão conseguindo elevar a massa salarial, mas o salário médio continua sendo o que cresce mais devagar e isso precisa ser debatido". Para o economista, é preciso que o ritmo de reajuste dos salários supere o de crescimento econômico do país sob pena de termos congelada a atual e injusta distribuição de renda no país.

Sérgio criticou o empenho da mídia em relacionar o aumento da remuneração ao crescimento da inflação e lembrou que o salário acima da média do bancário é "fruto da luta histórica da categoria e da estrutura do setor".

Segundo Mendonça, aliados o governo também têm falado sobre rever a política do salário mínimo, "mas não falam quão estranho é o Brasil virar a quinta economia do mundo, que em breve acontecerá, com essa desigualdade de renda. Isso é um caso inédito na história econômica internacional". Ele defende que haja mais regulação do sistema financeiro, tributação favorável e distribuição de renda justa.

Para ele, o movimento sindical tem papel fundamental na discussão de assuntos importantes para a classe trabalhadora, como salário e emprego decente, meio ambiente, regulamentação do sistema financeiro, controle do câmbio para proteger a economia interna, saúde, segurança e formação profissional.

Trabalho de governança

O professor da PUC-SP, Ladislau Dowbor, que também participou do painel sobre conjuntura, falou sobre o crescimento populacional e o impacto sobre a economia. Segundo ele, o momento é de aumento da produtividade e de expansão tecnológica em todos os setores.

O curioso, segundo Dowbor, é que a trajetória de crescimento dos salários continua estável, mesmo com o aumento da produtividade e dos lucros. "A apropriação dos lucros é dos grandes grupos, sendo que 40% vêm de atividades financeiras. Não há explicação para a estagnação salarial", argumenta.

A informalidade é outro problema que precisa ser combatido. Segundo Ladislau, a conjuntura é favorável, mas 40% da população ainda exercem atividades informais. "Nós precisamos de propostas realmente propositivas de emprego e inclusão", defendeu. "O meio ambiente, a desigualdade e a inclusão produtiva são eixos críticos que precisamos discutir. Nós precisamos de gente que pense o estrutural e isso também é trabalho dos sindicatos".

Para Dowbor, é importante que haja investimento nas pessoas para fazer a economia funcionar. "Educação não gera inflação e, ao mesmo tempo, nos faz avançar no ponto que estamos mais atrasados", destacou. "Pela primeira vez as políticas estão chegando aos estratos sociais mais baixos. Políticas distributivas e aumento do salário mínimo estão nos protegendo, transformando os grandes problemas em eixos positivos para a expansão firmada nas nossas próprias pernas".

Segundo ele, o elemento central dos problemas está no trabalho da governança. "Não temos falta de recursos financeiros no Brasil, e sim deformação na maneira como esses recursos são usados. Nós temos todas as ferramentas para reverter a desigualdade, basta saber usá-las".

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