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Trabalhadores do Itaú debatem saúde, metas abusivas e fechamento de agências em encontro estadual

Evento reuniu dirigentes sindicais, representantes da COE, Fundação Itaú e Dieese para discutir os impactos da reestruturação bancária, o aumento do adoecimento na categoria e os eixos da próxima campanha salarial.

Foi realizado na noite da última quinta-feira (21/05) o Encontro Estadual dos Trabalhadores do Itaú, reunindo dirigentes sindicais, representantes da Comissão de Organização dos Empregados (COE), integrantes da Fundação Itaú e técnicos do Dieese para debater os principais desafios da categoria e construir encaminhamentos para a campanha salarial nacional dos bancários.

Entre os principais temas debatidos estiveram o adoecimento da categoria, metas abusivas, fechamento de agências, lucros recordes dos bancos, previdência complementar, terceirização, saúde dos aposentados e os impactos da reestruturação digital no emprego bancário.

A avaliação predominante entre os participantes é de que a campanha salarial deste ano terá como eixo central a defesa da saúde dos trabalhadores e da remuneração.

Saúde e condições de trabalho

Durante o debate sobre saúde e condições de trabalho, dirigentes alertaram para o aumento do adoecimento mental entre bancários, provocado principalmente pela pressão por metas, processos de reestruturação e insegurança em relação ao emprego. “O principal conflito hoje é que os bancos aceitam discutir saúde, mas não querem reconhecer que metas abusivas, pressão excessiva, gestão por assédio e sistemas de vigilância são fatores centrais do adoecimento da categoria”, destacou Eduardo Munhoz, representante da COE Itaú.

Segundo ele, os bancários estão entre as categorias com maiores índices de afastamento relacionados à saúde mental, com crescimento de casos de depressão, burnout e estresse.

Fechamento de agências 

Outro tema que ganhou destaque foi o fechamento acelerado de agências e a redução dos postos de trabalho. O economista do Dieese, Alisson Droppa, apresentou dados sobre os balanços do Itaú e apontou que, apesar dos lucros bilionários, os bancos seguem intensificando cortes de empregos e reduzindo sua presença física. “O Itaú teve lucro líquido de R$ 12 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026. Ao mesmo tempo, eliminou mais de 4 mil postos de trabalho em 12 meses e fechou mais de 360 agências no país”, afirmou.

Segundo Alisson, no Rio Grande do Sul o movimento é ainda mais intenso. “Entre abril de 2024 e abril de 2026, o estado perdeu cerca de 32% das agências do Itaú. Isso revela um novo padrão de presença do banco e levanta a pergunta sobre qual será o limite dessa reestruturação”, destacou.

Os participantes também demonstraram preocupação com a sobrecarga gerada pelo fechamento das unidades. Funcionários relataram que, mesmo com o encerramento das agências, os clientes continuam sendo redistribuídos para outras unidades, aumentando a pressão sobre os trabalhadores que permanecem.

Previdência complementar e aposentadoria

A questão da previdência complementar e da situação dos aposentados também ocupou espaço importante no encontro. Antônio Augusto Borges, suplente do Conselho Fiscal da Fundação Itaú, defendeu a ampliação da proteção previdenciária e criticou o fechamento da fundação para novas adesões. “O que nós cobramos desde a primeira eleição dos conselhos é justamente a reabertura de um plano para todos os trabalhadores”, afirmou.

Ele também alertou para o peso crescente dos planos de saúde sobre aposentados e trabalhadores próximos da aposentadoria. “Muitos colegas estão deixando o plano de saúde porque o custo ficou alto demais. Esse é hoje um dos temas que mais preocupam os aposentados”, destacou Antônio Augusto Borges.

Acordos e disputas sobre saúde

Durante o encontro, também foram debatidos os recentes acordos firmados com o banco. Eduardo Munhoz ressaltou avanços relacionados às bolsas de estudo, ampliação de reembolsos e inclusão de cláusulas sobre monitoramento dos trabalhadores.

Outro tema de preocupação é a atuação das juntas médicas e a revisão de atestados médicos apresentados pelos bancários. “O banco passou a questionar e revisar atestados médicos. Em alguns casos, há até alteração de avaliações médicas, algo que consideramos extremamente grave e ilegal”, denunciou Eduardo.

Segundo ele, a categoria tenta avançar na negociação com o banco, mas não descarta judicializar o tema caso não haja solução.

Ao final do encontro, os participantes reforçaram a necessidade de fortalecer a mobilização da categoria diante do avanço da digitalização, da terceirização e do aumento da pressão por resultados dentro dos bancos.

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