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VISÃO GLOBAL REFORÇA EMPREGABILIDADE

Passar pela crise sem sofrer muito suas conseqüências depende mais do próprio executivo do que da vulnerabilidade da área onde ele atua. Isso porque, mesmo com a economia indo mal, sempre haverá boas ofertas para quem traz no currículo uma base técnica sólida e a capacidade de liderar. A opinião é do americano Gregory Scileppi, diretor de operações internacionais da americana Robert Half, especializada em recrutamento e seleção de executivos.

Para Scileppi, da Robert Half, as habilidades de liderança dos melhores executivos não mudam muito de um país para outro

Há mais de 20 anos na empresa e responsável hoje por 95 escritórios em 20 países, Scileppi esteve recentemente no Brasil para monitorar as atividades dos escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro e aconselhou: "Os profissionais devem desenvolver a carreira de forma global, com uma visão de negócios internacional. Assim, receberão propostas de trabalho não só em sua cidade, mas no mundo todo."

A seguir, trechos da conversa que teve com o Valor sobre os planos de expansão da Robert Half no país e as oportunidades existentes para os gestores:

Valor: Como está o mercado de trabalho hoje para os executivos no Brasil e no resto do mundo?

Gregory Scileppi: Tivemos uma mudança clara e significativa a partir do segundo semestre do ano passado devido a crise. Não há dúvidas que o momento atual da economia é difícil e as coisas estão mais devagar. Mesmo assim ainda há boas oportunidades para os executivos focados, com experiência e habilidades para oferecer.

Valor: Que habilidades o mercado valoriza no momento?

Scileppi: A capacidade de liderar é fundamental para um executivo. Claro que é preciso também ter uma base sólida de conhecimentos e habilidades técnicas, mas é essencial que um executivo hoje saiba liderar grupos e pessoas para tirar o que eles têm de melhor. Profissionais com esse perfil são sempre os mais procurados pelas empresas.

Valor: Os executivos brasileiros estão preparados para isso, ou seja, eles atendem esses requisitos?

Scileppi: Trabalho com executivos em 20 países diferentes e não vejo grandes diferenças entre eles. Existem habilidades que transcendem culturas e a questão regional. Quando lidamos com candidatos brasileiros percebemos que eles têm muitas similaridades com outros da Inglaterra, Alemanha e Bélgica, por exemplo. Os melhores são definidos basicamente por suas habilidades de liderança e isso não muda radicalmente de um país para outro. Sempre encontramos grandes talentos no Brasil e acredito que eles estejam respondendo de forma adequada às exigências do mercado.

Valor: Na crise, existem áreas que devem ser procuradas ou evitadas por um executivo?

Scileppi: Se analisarmos de forma global, não há um setor tão melhor ou pior que outro. Essa diferença pode ficar mais latente, porém, em determinadas regiões. No Brasil, por exemplo, há oportunidades constantes em áreas como engenharia, tecnologia e auditoria. As melhores oportunidades não surgem em áreas específicas, mas para executivos de destaque, independentemente de onde estiverem atuando.

Valor: O Brasil, inclusive, é o único país onde a Robert Half tem uma divisão especial para engenharias…

Scileppi: Isso mostra a força deste segmento no país. Aprendemos com cada mercado onde atuamos e percebemos bem rápido que o setor de engenharia é muito demandado no Brasil, além de apresentar um padrão de qualidade e profissionais altamente capacitados. Temos planos de criar algo parecido também em outros países, além de exportar alguns desses profissionais para atuarem no exterior.

Valor: Como o senhor vê esse movimento dos executivos que saem de seus países para atuar em outros?

Scileppi: Isso é uma coisa que acontece cada vez mais. Os profissionais desenvolvem uma visão mais global e internacional de negócios, o que acaba sendo importante para sua carreira e ao mesmo tempo uma vantagem competitiva para a empresa. Tenho visto muitos europeus, por exemplo, sendo mandados para atuar nos países asiáticos e nos Estados Unidos. Nós incentivamos bastante esse tipo de movimentação.

Valor: Mas nesse momento os executivos, especialmente nos Estados Unidos, não querem viajar para ganhar experiência, mas para fugir da crise…

Scileppi: De fato, os profissionais devem sempre buscar melhores oportunidades. Para isso é preciso ter uma boa qualificação e vontade de encarar o desafio. Se você se enxerga e se comporta como um executivo de São Paulo, por exemplo, receberá ofertas apenas para atuar em São Paulo. A tendência, porém, é que os executivos desenvolvam suas carreiras de forma cada vez mais internacional. Isso derruba os limites geográficos e os possibilita atuar em qualquer parte do planeta.

Valor: Por que a Robert Half tem investido tanto no Brasil?

Scileppi: Entramos no país em 2007 com um escritório em São Paulo e os resultados que obtivemos superaram as expectativas. O Brasil tem um enorme potencial e vem apresentando um crescimento econômico estável nos últimos anos. Investimos em países pensando no longo prazo e temos confiança de que o Brasil continuará crescendo e se manterá como país de destaque no mundo por muito tempo.

Valor: Há planos, então, de expandir os negócios por aqui?

Scileppi: Sem dúvida. A Robert Half se sente muito confortável atuando no Brasil. O mercado de trabalho, as indústrias, os executivos, tudo aqui nos é favorável. Abrimos uma unidade no Rio de Janeiro no ano passado e iremos inaugurar mais duas em outras cidades ainda em 2009. Abrir um escritório em outro local da América Latina também é um projeto que já está em andamento.

Valor: A atuação da empresa é diferente em algum aspecto aqui no Brasil?

Scileppi: Não mudamos a maneira de atuar quando viemos ao Brasil, mas é importante entender como as coisas funcionam e acontecem por aqui. Cada país tem suas particularidades, sua cultura e seus costumes em relação aos negócios e é preciso entender tudo isso. O grande desafio é manter os mesmos padrões e diretrizes estabelecidos pela Robert Half nos Estados Unidos em cada um dos escritórios mundo afora sem perder o foco local.

 Por Rafael Sigollo, de São Paulo

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